Polícia
Publicado em 06/10/2026, às 09h53 Foto: Divulgação Tatiana Ribeiro
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32, foi interrogado pela Justiça durante oito horas nesta segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
Segundo a Justiça, o depoimento começou às 13h40 e terminou por volta das 22h, com uma breve pausa às 16h30. O conteúdo completo do interrogatório não foi divulgado.
A audiência ocorreu após um novo laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil apontar inconsistências na versão apresentada pelo militar, que sustenta que Gisele cometeu suicídio. A perícia concluiu que a dinâmica da morte não seria compatível com essa hipótese e indicou a possível participação de uma segunda pessoa.
Gisele foi encontrada gravemente ferida por um disparo de arma de fogo na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Geraldo afirma que a esposa tirou a própria vida após ele comunicar que pretendia terminar o relacionamento. Na ocasião, os dois estavam sozinhos no imóvel.
O tenente-coronel foi preso em 18 de março e permanece detido preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Ele foi pronunciado pelo crime de feminicídio e será submetido ao Tribunal do Júri, ainda sem data marcada.
O militar também responde a um processo administrativo no Conselho de Justificação da Polícia Militar, que pode resultar na perda de sua patente.
Entre os principais elementos analisados pelos peritos está a posição da arma, encontrada sobre um guarda-roupa de aproximadamente dois metros de altura, fora do alcance de Gisele, que tinha 1,65 metro.
A perícia também concluiu que Geraldo não teria como enxergar a esposa caída a partir do box do banheiro, contrariando a versão apresentada por ele. O sentido do escorrimento de sangue no corpo da vítima também foi considerado incompatível com a hipótese de suicídio.
Os peritos realizaram testes e simulações para verificar a dinâmica apresentada pela defesa. Segundo a perita criminal Amanda Rodrigues Marinone, os experimentos reproduzidos apresentaram os mesmos resultados, reforçando as conclusões do laudo.
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