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Violência contra entregadores: aplicativos registram mais de 1 mil ocorrências este ano no Brasil

Discriminação, ameaças e agressões físicas lideram os relatos de profissionais de entrega no país, expondo a vulnerabilidade do trabalho de entrega  |  Foto: Divulgação/Ifood

Publicado em 20/09/2026, às 08h46   Foto: Divulgação/Ifood   Marina do Val

Dados de plataformas de delivery revelam um cenário preocupante: apenas nos sete primeiros meses deste ano, o aplicativo iFood contabilizou 1.188 relatos de violência contra entregadores no país, uma média de 5,6 registros diários. 

Entre as ocorrências em que as causas foram identificadas, a grande maioria refere-se a episódios de discriminação e ameaças, que juntos respondem por cerca de 75% das queixas encaminhadas às centrais de suporte. 

As agressões físicas aparecem em seguida, somando aproximadamente 25% dos relatos. Em vários casos, os trabalhadores reportam mais de um tipo de violência em um mesmo incidente.

Histórico de agressões

Casos de hostilidade entre clientes, agentes de segurança e entregadores têm se repetido em diversas regiões do país. Em episódios recentes, trabalhadores relataram desde ofensas verbais durante entregas em condomínios até agressões físicas por desacordo de pagamento ou atrasos em pedidos. 

A violência contra a categoria ganhou forte visibilidade pública em episódios emblemáticos nos últimos anos. 

Em 2020, o entregador Matheus Pires foi alvo de ofensas racistas e socioeconômicas por parte de um morador em Valinhos (SP). Já em 2023, o entregador Max Ângelo dos Santos foi agredido a chicotadas por uma moradora no Rio de Janeiro. 

Apesar de a maior parte dos registros apontar os profissionais como vítimas, episódios pontuais de violência envolvendo entregadores contra terceiros também já foram registrados, evidenciando o clima de tensão recorrente no cotidiano do serviço de entrega.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Setor em expansão

A discussão sobre a segurança desses profissionais ganha relevância diante da dimensão do setor no Brasil.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o país contabilizava cerca de 1,95 milhão de trabalhadores atuando por meio de aplicativos em 2025, dos quais mais de 376 mil atuam especificamente como entregadores de alimentos e mercadorias.

Resposta das plataformas

Diante do volume de ocorrências, as empresas do setor têm anunciado medidas de apoio e segurança. 

O IFood informou ao Metrópoles que implementou uma Política de Combate à Discriminação e Violência, que oferece suporte jurídico e psicológico gratuito aos profissionais vitimados, tendo aplicado no período analisado mais de 1,6 mil sanções a clientes e estabelecimentos comerciais envolvidos em episódios de violência. 

A 99 Food destacou adotar tolerância zero contra ofensas e agressões, oferecendo uma central de segurança 24 horas para o registro de denúncias e acolhimento das vítimas, incluindo assistência médica e psicológica via seguro da plataforma quando aplicável. 

Já o aplicativo Keeta declarou manter suporte contínuo para incidentes com entregadores parceiros e afirmou apurar denúncias de descumprimento das diretrizes de conduta para aplicar as devidas penalidades.

Classificação Indicativa: Livre


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