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Apesar das chuvas, reservatórios de SP ainda não recuperam níveis esperados

Entenda por que as chuvas não garantem a recuperação das represas; Defesa Civil continua monitorando situação no Vale do Ribeira  |  Foto: Divulgação/Sabesp

Publicado em 16/09/2026, às 14h05   Foto: Divulgação/Sabesp   Amanda Ambrozio

As chuvas das últimas semanas ajudaram a elevar o nível dos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo.

Apesar da recuperação, o estado ainda precisa de novas precipitações para recompor os mananciais, principalmente nas bacias de captação e nas cabeceiras dos sistemas de abastecimento.

Segundo cálculos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a região registrou volumes de chuva acima da média nos últimos períodos.

Em fevereiro, por exemplo, foram acumulados, em apenas dez dias, 81,5% da chuva esperada para todo o mês. Em janeiro, o volume chegou a 72% da média prevista.

Com as precipitações, o nível dos reservatórios paulistas aumentou 9%, segundo dados do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), da Sabesp, contabilizados até segunda-feira (14).

No entanto, o volume de chuva, por si só, não garante a recuperação dos mananciais. Para contribuir com o abastecimento, a água precisa atingir as bacias de captação e as cabeceiras dos sistemas que alimentam as represas, e não apenas a capital paulista.

Chuvas regulares ajudam a recuperar os reservatórios

Temporais intensos e concentrados em poucas horas podem provocar alagamentos, transbordamentos e escoamento rápido da água, reduzindo a quantidade que consegue infiltrar no solo e chegar aos reservatórios.

Já as chuvas mais regulares, distribuídas ao longo de dias e semanas, favorecem a infiltração, mantêm os rios alimentados por mais tempo e aumentam a contribuição para os mananciais.

Os dados recentes mostram que grandes volumes de precipitação podem alterar rapidamente o cenário hídrico, de acordo com a CNN Brasil.

Para uma recuperação mais consistente, porém, São Paulo ainda depende de chuvas frequentes e bem distribuídas nas áreas que formam as bacias dos principais sistemas de abastecimento.

Foto: Divulgação/Sabesp
Foto: Divulgação/Sabesp
Foto: Divulgação/Defesa Civil
Foto: Divulgação/Defesa Civil

Vale do Ribeira recebe reforço após fortes chuvas

Enquanto os reservatórios apresentam recuperação, municípios do Vale do Ribeira seguem enfrentando os impactos das chuvas dos últimos dias.

O governo de São Paulo realiza, nesta quarta-feira (16), às 15h, uma reunião em Registro com representantes das cidades da região para definir ações conjuntas de resposta e restabelecimento dos serviços.

Participam representantes de diferentes secretarias estaduais, da Defesa Civil, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), da SP Águas, do Banco do Povo e da Prodesp, entre outros órgãos.

A partir desta quarta, famílias atingidas também poderão buscar atendimento do Poupatempo Móvel em Eldorado, especialmente para a emissão de documentos perdidos durante as enchentes.

Agentes da Secretaria da Agricultura devem avaliar as necessidades de pequenos produtores afetados.

Na terça-feira (15), a região começou a receber um novo lote de medicamentos e ajuda humanitária.

Rio Ribeira ainda transborda em alguns municípios

Cerca de 2 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas na região. No estado, Eldorado, Registro, Ribeira, Iporanga, Barra do Turvo e Piracaia decretaram situação de emergência.

Em Ribeira, Iporanga e Eldorado, as águas já retornaram à calha do rio, e as famílias começaram a limpar os imóveis para voltar às residências. Não há mais pontos de alagamento nesses três municípios.

Já em Sete Barras, Registro e Pariquera-Açu, o Rio Ribeira de Iguape ainda apresenta pontos de extravasamento, com alagamentos principalmente em áreas rurais. Em Registro, também há pontos de inundação na área urbana.

O município contabiliza 28 famílias desabrigadas, enquanto Sete Barras tem 25 famílias nessa situação. As equipes estaduais continuam monitorando os níveis dos rios e atuando em conjunto com as prefeituras.

Chuvas também provocam mortes e desaparecimentos na Grande SP

As tempestades registradas desde sexta-feira (11) também causaram transtornos na Grande São Paulo. Foram confirmadas três mortes e dois desaparecimentos relacionados às tempestades.

Em São Bernardo do Campo, um homem foi encontrado morto durante buscas realizadas pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros na segunda-feira (14), na Vila São José.

Em Guarulhos, equipes seguem atuando no bairro Vila Any, atingido pelas chuvas de sexta-feira e sábado (12), para acessar residências e resgatar moradores ilhados. A população recebeu 12 mil litros de água potável.

Em Osasco, 13 residências foram interditadas temporariamente. As famílias foram acolhidas em casas de parentes e receberam assistência humanitária do serviço de assistência social do município.

Já em Embu-Guaçu, equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil realizam buscas por um morador que caiu no rio durante um temporal no bairro Cipozinho. Ele permanece desaparecido.

Previsão indica nova frente fria no fim de semana

A Defesa Civil do Estado de São Paulo prevê pancadas de chuva isoladas, com raios e rajadas de vento em algumas regiões, entre quarta (16) e quinta-feira (17).

Entre sexta-feira (18) e parte do sábado (19), o tempo deve ficar mais estável e quente. A partir da noite de sábado e durante o domingo (20), uma nova frente fria deve provocar chuva de moderada a forte intensidade.

Como o solo permanece saturado em algumas áreas, continua o risco de deslizamentos, alagamentos e enxurradas.

Outras frentes frias também estão sendo monitoradas para a próxima semana.

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