Política

"Dark Horse": Mário Frias é citado como suposto líder de esquema criminoso

Ao retirar o sigilo de inquérito, o ministro Flávio Dino apontou o deputado Mário Frias como líder de um esquema de fraude e lavagem de dinheiro  |  Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Publicado em 13/09/2026, às 14h19   Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados   Amanda Ambrozio

A investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o uso de emendas parlamentares destinadas a empresas paulistas aponta o deputado federal Mário Frias (PL-SP) como um dos principais personagens de um suposto esquema envolvendo fraude contratual, uso irregular de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

O inquérito teve o sigilo derrubado neste domingo (13) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os investigadores analisaram movimentações financeiras relacionadas ao deputado, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), à empresa Complexsys e à Academia Nacional de Cultura (ANC).

Segundo a investigação, Frias destinou emendas parlamentares ao ICB, organização ligada à empresária Karina Gama, que também é sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o portal Metrópoles, a suspeita é de que o instituto tenha contratado empresas para prestar serviços técnicos, mas parte dos recursos teria retornado ao próprio ICB.

Mário Frias é apontado como agente central

No relatório, os investigadores classificam Mário Frias como um “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação” e afirmam ter identificado movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica conhecida do deputado.

Na decisão que retirou o sigilo do inquérito, Flávio Dino foi além e afirmou haver “fortes indícios de uma única organização criminosa” estruturada para captar, distribuir e ocultar recursos provenientes de verbas públicas.

O ministro também apontou Frias como um possível personagem central dessa estrutura.

“Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que – no terreno hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”, escreveu Dino.

As conclusões, porém, ainda fazem parte de uma investigação e não representam uma condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade do parlamentar.

Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados
Foto: Rosinei Coutinho/STF
Foto: Reprodução/Instagram

Dino manda material de celulares para a PF

Além de retirar o sigilo do inquérito, Flávio Dino determinou que o secretário de Segurança Pública de São Paulo, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, entregue à Polícia Federal (PF) todo o material bruto extraído dos celulares, computadores e demais equipamentos apreendidos durante a investigação.

Os aparelhos foram recolhidos pela Polícia Civil em junho e estavam sendo submetidos a perícia por órgãos estaduais.

Na decisão, Dino determinou que os equipamentos e documentos sejam transferidos para a custódia da Polícia Federal, seguindo as regras previstas no Código de Processo Penal.

“Determino que todos os aparelhos celulares, computadores e demais documentos sejam transferidos à custódia da Polícia Federal, com todas as cautelas legais”, escreveu o ministro.

A medida deverá permitir que os investigadores federais tenham acesso ao conteúdo já extraído dos dispositivos e possam cruzar as informações com outros elementos reunidos em investigações relacionadas ao caso.

Emendas destinadas ao instituto são alvo da investigação

O Instituto Conhecer Brasil aparece no centro das apurações por ter recebido recursos de emendas parlamentares destinadas por Mário Frias.

Segundo os investigadores, o dinheiro deveria financiar serviços previstos em contratos, mas teria seguido um caminho diferente do estabelecido originalmente.

A suspeita é de que empresas tenham sido subcontratadas de maneira irregular e que os valores posteriormente tenham retornado ao instituto, levantando dúvidas sobre a efetiva prestação dos serviços.

A empresária Karina Gama também aparece na investigação. Além de estar ligada ao ICB, ela é sócia da Go Up Entertainment, responsável pela produção de "Dark Horse".

A relação entre os personagens também colocou a produção do filme no radar das autoridades.

O longa, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, já havia sido mencionado em outra frente de investigação envolvendo possíveis recursos destinados à produção.

Operação Make Up cumpriu 49 mandados

A apuração levou à Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (10). Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em diferentes estados.

Entre os alvos estavam Mário Frias e Karina Gama.

A operação investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil por meio de um termo de fomento.

De acordo com a PF, há indícios de uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado parte dos recursos recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente realizados.

As suspeitas investigadas envolvem crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

Até o momento, a investigação segue em andamento e não houve condenação dos envolvidos.

O material apreendido deverá ser analisado pela Polícia Federal para esclarecer a participação de cada um dos investigados e a eventual destinação dos recursos públicos.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSão PauloJair bolsonaroFlávio dinoDark horseSupremo tribunal federalKarina gamaMário frias

Leia também


Dino puxa para o STF investigação sobre supostas fraudes em contrato de wi-fi da Prefeitura de SP


Flávio Dino aponta risco e proíbe deputado Mario Frias de sair do Brasil em meio às investigações do Dark Horse