Política
Publicado em 28/05/2026, às 20h49 Foto: Reprodução/Instagram/Vídeo Andrezza Souza
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida foi divulgada pelo Departamento de Estado americano e amplia as restrições já existentes contra integrantes e apoiadores das duas facções criminosas.
A decisão ocorre após meses de discussões entre autoridades dos dois países sobre o combate ao crime organizado transnacional. O tema também ganhou força nos últimos meses dentro do governo norte-americano, que vinha avaliando mecanismos para ampliar a pressão sobre grupos criminosos com atuação além das fronteiras brasileiras.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as facções representam uma ameaça à segurança regional e que a administração americana pretende utilizar todos os instrumentos disponíveis para combater suas atividades.
Com a nova classificação, qualquer tipo de apoio material ou financeiro às organizações passa a ser tratado como crime sob a legislação norte-americana.
A decisão também permite o bloqueio de ativos vinculados às facções em território americano, além de restringir o acesso de integrantes dos grupos aos Estados Unidos. Pessoas associadas às organizações podem ter vistos negados ou ser deportadas caso já estejam no país.
Instituições financeiras norte-americanas também passam a ter obrigação de comunicar movimentações suspeitas e bloquear recursos ligados aos grupos incluídos na lista.
A decisão foi tomada apesar da posição contrária do governo brasileiro. Autoridades do Brasil defendem que as facções criminosas devem ser combatidas com rigor, mas argumentam que a legislação brasileira possui critérios específicos para caracterização de terrorismo.
Pela Lei Antiterrorismo brasileira, a classificação está relacionada a atos motivados por discriminação, preconceito ou xenofobia com o objetivo de provocar terror social generalizado. Por essa interpretação, PCC e Comando Vermelho não se enquadrariam na definição jurídica atualmente adotada pelo país.
Integrantes do governo federal também demonstraram preocupação com possíveis impactos diplomáticos e jurídicos da medida, especialmente em relação à cooperação internacional e às consequências para pessoas e empresas eventualmente ligadas a recursos investigados pelas autoridades americanas.
As duas organizações criminosas são apontadas pelas autoridades como algumas das maiores estruturas do crime organizado em atividade na América Latina.
O PCC e o Comando Vermelho expandiram sua presença para além das fronteiras brasileiras, ampliando rotas, alianças e operações ligadas principalmente ao tráfico de drogas e à movimentação de recursos ilícitos. As facções também exercem influência em diferentes estados do país, disputando territórios e mercados criminosos.
A atuação internacional dos grupos foi um dos fatores considerados pelas autoridades americanas na decisão de incluí-los na lista de organizações terroristas estrangeiras.
A medida marca um novo capítulo na cooperação e nas divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre estratégias de enfrentamento ao crime organizado transnacional.
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