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Publicado em 02/09/2026, às 14h33 Foto: Pexels Amanda Ambrozio
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) recebeu autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para iniciar os testes clínicos da primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida no Brasil com tecnologia de RNA mensageiro (RNAm).
A informação foi divulgada nesta quarta-feira (2) pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde.
O imunizante foi desenvolvido pelo Bio-Manguinhos/Fiocruz e será utilizado inicialmente como dose de reforço contra a Covid-19.
Segundo o SBT News, a tecnologia permite acelerar o desenvolvimento e a produção de vacinas, facilitando respostas mais rápidas diante do surgimento de novos vírus e variantes.
A primeira fase dos testes clínicos deve começar no primeiro trimestre de 2027, após a aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os participantes serão acompanhados durante um ano pelos pesquisadores.
Nesta etapa, os cientistas vão avaliar principalmente a segurança e a imunogenicidade da vacina, ou seja, a capacidade do imunizante de estimular o sistema imunológico a produzir uma resposta de defesa contra o vírus.
A tecnologia de RNA mensageiro funciona de maneira diferente das vacinas tradicionais. Em vez de utilizar o vírus enfraquecido ou inativado, o imunizante utiliza moléculas de RNA para fornecer ao organismo instruções que estimulam a produção de uma proteína capaz de desencadear uma resposta imunológica.
Segundo Patrícia Neves, líder do projeto RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz, o desenvolvimento da plataforma pode abrir caminho para a criação de outros imunizantes e tratamentos.
“O potencial é enorme. Teremos a primeira vacina para Covid-19, mas já estamos com estudos em andamento para outras, contra leishmaniose e tuberculose, por exemplo, e sabemos que é possível produzir terapias voltadas a doenças como o câncer”, explicou.
O projeto é desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), que desde 2021 é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como centro de referência em vacinas de RNA mensageiro na América Latina.
A plataforma desenvolvida pela instituição também poderá ser utilizada futuramente para outras doenças.
A expectativa dos pesquisadores é aproveitar a estrutura e o conhecimento adquiridos durante o desenvolvimento da vacina da Covid-19 para ampliar a produção nacional de imunizantes e terapias baseadas em RNA.
A tecnologia é considerada estratégica porque permite modificar e produzir candidatos a vacinas em períodos menores do que os métodos tradicionais, característica que pode ser importante em situações de emergência sanitária.
O desenvolvimento da tecnologia recebeu R$ 77 milhões em investimentos do Ministério da Saúde. O governo federal também financia projetos semelhantes no Instituto Butantan e no Centro de Competência em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (CTV-RNA).
O Butantan recebeu R$ 73 milhões para a implantação de uma unidade voltada ao desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro. Inicialmente, a estrutura terá projetos direcionados à Covid-19 e à raiva.
Já o CTV-RNA, da UFMG, recebeu R$ 60 milhões e desenvolve pesquisas relacionadas a dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose visceral e influenza, além de soluções terapêuticas baseadas em RNA.
Entre as pesquisas também estão projetos de imunoterapia contra o câncer utilizando RNA de interferência curto.
Os investimentos fazem parte de uma estratégia de cooperação internacional que reúne o Ministério da Saúde, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
A iniciativa busca fortalecer a capacidade brasileira de desenvolver e produzir tecnologias de RNA mensageiro, reduzindo a dependência externa em situações de emergência e ampliando a capacidade de resposta do país a novas doenças.
A autorização da Anvisa representa uma nova etapa no desenvolvimento da vacina da Fiocruz. Antes de chegar ao mercado, o imunizante ainda precisará passar por todas as fases de testes clínicos e demonstrar segurança e eficácia suficientes para obter o registro sanitário.
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