Política
Publicado em 08/06/2026, às 19h50 Foto: Magnific Andrezza Souza
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de 42 episódios de reações adversas graves identificados pelo sistema de vigilância pós-vacinação.
Segundo a pasta, a interrupção tem caráter preventivo e permanecerá em vigor até a conclusão das investigações conduzidas em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan.
A suspensão atinge exclusivamente o imunizante desenvolvido pelo instituto paulista, que vinha sendo aplicado em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto realizados em municípios selecionados. A vacina contra a dengue atualmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos continua sendo aplicada normalmente.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses da vacina do Butantan já haviam sido aplicadas quando os casos começaram a ser identificados pelos sistemas de monitoramento.
Entre os 42 episódios registrados, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos que ainda estão sob investigação. Até o momento, segundo a pasta, não há elementos suficientes para comprovar uma relação de causa e efeito entre a vacinação e os eventos notificados.
Os registros representam aproximadamente oito casos graves para cada 100 mil doses aplicadas, mas o governo optou por interromper temporariamente a estratégia enquanto novas análises são realizadas.
O Ministério da Saúde informou que as vacinas já distribuídas aos estados e municípios não serão descartadas.
A orientação é que os imunizantes permaneçam armazenados nas redes de frio e nas unidades de saúde até a conclusão das investigações, já que a suspensão é considerada temporária. Também serão realizadas reuniões com gestores estaduais e municipais para orientar a interrupção da vacinação e apresentar as recomendações técnicas.
Segundo o governo federal, a suspensão permitirá aprofundar a análise dos 42 episódios registrados, incluindo a avaliação de possíveis fatores de risco comuns entre os pacientes e aspectos relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.
As investigações serão conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa e pelo Instituto Butantan, com acompanhamento dos órgãos responsáveis pela farmacovigilância e pelo Programa Nacional de Imunizações.
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