Política
Publicado em 29/05/2026, às 14h00 Foto: Gabriela Pessanha/BNews São Paulo Gabriela Pessanha
O Ministério Público em parceria com o Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) realizou nesta sexta-feira (29) o quarto mutirão "Encontre Seu Pai Aqui".
Realizado mensalmente, o projeto visa oferecer gratuitamente à população testes genéticos que comprovem maternidade ou paternidade.
Os atendimentos são realizados sempre das 7h às 14h na sede do Imesc, localizada na Rua Júlio Gonzalez, 132, na Barra Funda.
Confira as próximas datas abaixo.
A testagem é gratuita e não necessita de agendamento.
Em entrevista ao BNews São Paulo, Maria Aparecida Viggiani, que trabalha no Imesc há 30 anos e é responsável pelas coletas, explicou como participar da ação.
"As pessoas devem trazer os documentos originais. No caso de menores de 18 anos, se não tiver RG, é preciso apresentar a certidão de nascimento", ela explica.
A recomendação de Maria Aparecida é que o público chegue cedo para evitar filas.
No Imesc os testes são consensuais e as duas partes devem estar presentes.
Em caso de menores de idade, caso a mãe ou pai não esteja presente, é preciso que o responsável legal acompanhe o exame.
Se o suposto pai ou suposta mãe não puder estar presente, seja por questões de ausência ou falecimento, então um parente consanguíneo pode realizar o exame. Se encaixam nessa categoria os pais do genitor, irmãos e filhos legítimos.
O exame é realizado com uma punção digital que recolhe uma gota de sangue. A técnica é semelhante à medição de diabetes, com uma picada rápida e indolor.
Dentro da sala, o profissional responsável pelo colhimento preenche a ficha dos presentes, com informações básicas de identificação, telefone e endereço.
Também é realizada uma contraprova, com assinatura de todas as partes que vão efetuar o exame.
O BNews São Paulo acompanhou uma das coletas e o procedimento dura cerca de dez minutos.
Todos os presentes acompanham a punção digital para evitar acusações de fraudes após os resultados. Além do suposto genitor e da pessoa que busca o reconhecimento legal, se a mãe ou pai de registro estiverem presentes, também é recolhida uma amostra do sangue deles.
Quando o exame estiver pronto, em um prazo que pode variar de 30 dias a três meses, a unidade do Ministério Público mais próxima aos testados os convida para retirada dos resultados.
Diferente do imaginado, a coleta do Imesc não se restringe apenas aos genitores e seus filhos e permite também que famílias que buscam reconhecimento de laços realizem o exame.
Nesta sexta-feira, entre os casos do mutirão, estavam uma mãe, seu filho e a mãe do genitor, já falecido, realizando a coleta e um suposto pai que iria realizar a testagem com uma mulher já adulta.
Outro caso é das supostas irmãs Eliáde Ribeiro e Sara Soares. Aos 40 anos, Eliáde foi realizar o teste junto com Sara, de 22 anos, um ano após o falecimento do pai.
Ela sabia da existência da irmã desde os 18 anos, mas elas nunca tiveram contato devido à falta de interesse do pai em registrar a caçula. Sara, que fez aniversário nesta sexta-feira, comentou que soube que seu pai de criação não era seu genitor aos 19.
No entanto, ela resolveu seguir com o processo de reconhecimento após o falecimento dele.
"Eu não gostei da atitude dele como homem, mas eu respeitei e sabia que no tempo certo tudo se encaixaria", comenta Eliáde sobre a falta de reconhecimento do pai em relação a Sara.
As duas compartilham mais dois irmãos com o mesmo genitor.
Também estava presente Geraldo Abreu, de 59 anos, com seu único filho de 18 anos. Eles foram realizar o exame acompanhados da Irmã Miriam, uma freira que presta suporte a Geraldo no processo de paternidade há anos.
Geraldo registrou o filho e sempre o reconheceu, no entanto, o contato deles foi restrito durante a maior parte do tempo devido a um processo de alienação parental por parte da mãe.
Até os 18 anos do filho, Geraldo tentou ganhar a guarda na justiça, mas o pedido nunca avançou no processo.
"Quando ele estava comigo, ele chorava e não queria ir embora, não tem como não mexer com a gente. Até uma criança que não é nosso filho mexe com a gente, já imaginou o sangue do seu sangue? É uma luta", comenta.
Hoje, eles foram realizar o teste como uma formalidade para o processo de revisão da pensão alimentícia, que visa mudar a transferência do pagamento da mãe para a conta bancária do filho.
"Graças a Deus ele está aí e vai ser para o melhor dele com certeza. A gente quer ver o futuro do filho da gente", explica Geraldo sobre a importância de realizar o processo de repasse da pensão.
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