Política
por Andrezza Souza
Publicado em 14/07/2026, às 21h10
A Universidade de Oxford deu início ao primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina desenvolvida contra a cepa Bundibugyo do vírus Ebola, uma das variantes responsáveis por surtos da doença na África. A pesquisa busca avaliar a segurança e a eficácia inicial do imunizante antes de etapas mais avançadas de desenvolvimento.
Batizado de BD-Ebov, o estudo acompanhará 50 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, na cidade de Oxford, no Reino Unido. O recrutamento dos participantes já começou, enquanto a aplicação das doses depende da aprovação dos órgãos reguladores.
O imunizante, chamado ChAdOx1 BDBV, foi desenvolvido por pesquisadores do Grupo de Vacinas e do Instituto de Ciências Pandêmicas da Universidade de Oxford. A tecnologia empregada é a mesma plataforma de vetor viral utilizada na vacina contra a Covid-19 produzida em parceria entre Oxford e a AstraZeneca.
Segundo a universidade, a pesquisa pretende analisar se a vacina é segura e capaz de estimular uma resposta imunológica contra a variante Bundibugyo do vírus Ebola.
A iniciativa ganhou impulso após a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar, em maio deste ano, que a vacina fosse priorizada para avaliação clínica como parte da resposta aos surtos registrados na República Democrática do Congo e em Uganda.
Além da candidata desenvolvida por Oxford, a OMS também indicou outra vacina experimental de dose única para estudos clínicos voltados à mesma variante do vírus.
O Instituto Serum da Índia, parceiro do projeto, informou que produziu cerca de 620 mil doses da vacina em apenas duas semanas e destinou 4 mil doses experimentais para a fase inicial dos testes.
O desenvolvimento do imunizante conta ainda com financiamento inicial de até US$ 8,6 milhões da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), organização internacional voltada ao enfrentamento de doenças infecciosas.
Caso os resultados da fase inicial sejam considerados positivos, novos estudos deverão ser realizados em Uganda, sujeitos à aprovação das autoridades sanitárias locais.
Os pesquisadores pretendem avançar para etapas mais amplas dos testes clínicos, com o objetivo de obter autorização para uso emergencial ou aprovação regulatória definitiva. A expectativa é que, se a vacina demonstrar eficácia e segurança, o imunizante possa ser disponibilizado de forma rápida e acessível para os países afetados pelos surtos da doença.
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