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Picadas de escorpião crescem 349% no Brasil e acendem alerta em SP, MG e BA

Estudo liderado por pesquisadores do Butantan aponta mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes em 12 anos  |  Foto: Pixabay/janeb13

Publicado em 09/06/2026, às 07h30   Foto: Pixabay/janeb13   Andrezza Souza

Os acidentes provocados por picadas de escorpião aumentaram de forma expressiva no Brasil nos últimos anos e acenderam um alerta para autoridades de saúde. Um estudo publicado na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases revelou que a taxa nacional de incidência da chamada escorpionismo cresceu 349% entre 2012 e 2024, passando de 31 para 142 casos por 100 mil habitantes.

A pesquisa foi conduzida por especialistas do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. O levantamento analisou dados dos 5.570 municípios brasileiros e registrou mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes no período.

Segundo os pesquisadores, o crescimento está relacionado a uma combinação de fatores ambientais, climáticos, urbanos e sociais que favorecem a proliferação dos escorpiões, especialmente em áreas urbanizadas. O estudo também busca auxiliar ações de vigilância epidemiológica e contribuir para a distribuição estratégica dos soros utilizados nos casos mais graves de envenenamento.

São Paulo, Minas Gerais e Bahia concentram áreas de maior risco

Foto: Pixabay/Josch13

As regiões Sudeste e Nordeste concentram cerca de 87% dos acidentes registrados no país. Entre as áreas consideradas mais críticas estão o sul da Bahia, o norte de Minas Gerais e o noroeste do estado de São Paulo.

No território paulista, o noroeste do estado aparece como a principal região de atenção. De acordo com os pesquisadores, o clima quente aliado ao avanço da urbanização cria condições favoráveis para a proliferação do Tityus serrulatus, conhecido popularmente como escorpião-amarelo, espécie responsável pela maior parte dos acidentes registrados no Brasil.

Minas Gerais também chama atenção não apenas pelo elevado número de ocorrências, mas pelo volume de mortes associadas aos acidentes. O alerta é ainda maior na região norte do estado. Segundo o levantamento, a maioria dos óbitos registrados no país ocorre entre crianças de até nove anos.

Já na Bahia, os pesquisadores observaram crescimento acelerado dos acidentes tanto na região sul quanto em municípios do norte do estado entre 2018 e 2024. A combinação de altas temperaturas e baixa pluviosidade é apontada como um dos fatores que favorecem o ciclo biológico dos escorpiões.

Nordeste mantém preocupação com avanço dos casos

Além da Bahia, os estados de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte também aparecem entre as áreas que exigem atenção das autoridades sanitárias. O estudo destaca que o aumento dos acidentes tem sido observado principalmente em áreas urbanizadas.

Em Alagoas, por exemplo, a incidência ultrapassou 270 casos por 100 mil habitantes. Os pesquisadores identificaram ainda um risco maior de acidentes entre mulheres no estado.

O Nordeste é historicamente afetado pela presença do Tityus stigmurus, conhecido como escorpião-do-nordeste, principal espécie responsável pelos acidentes na região.

Região Norte pode registrar subnotificação

Embora os dados oficiais indiquem menor incidência de acidentes na Região Norte, os autores do estudo alertam para a possibilidade de subnotificação dos casos.

Segundo a pesquisa, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a distância entre comunidades e unidades de atendimento podem impedir o registro adequado das ocorrências. Em algumas localidades ribeirinhas, o deslocamento até um hospital pode levar dias, aumentando os riscos para pacientes em estado grave.

O levantamento também destaca a presença de espécies amazônicas, como o Tityus obscurus, que podem provocar manifestações clínicas diferentes das observadas em outras regiões do país.

Temperatura elevada e urbanização favorecem proliferação

Foto: Magnific/kuritafsheen77

Ao comparar municípios com diferentes níveis de risco, os pesquisadores identificaram algumas características em comum nas áreas mais afetadas. Entre elas estão temperaturas mais altas, menor volume de chuvas, menor cobertura vegetal e índices mais baixos de alfabetização.

As cidades com maior presença de áreas verdes apresentaram menor incidência de acidentes, enquanto regiões urbanas quentes e secas favoreceram a proliferação dos animais. Ainda assim, o estudo aponta que os escorpiões possuem elevada capacidade de adaptação a diferentes ambientes.

Essa característica é especialmente observada em espécies como o escorpião-amarelo e o escorpião-do-nordeste, cujas fêmeas conseguem se reproduzir sem a necessidade de acasalamento, acelerando a formação de novas colônias.

Como evitar acidentes

Especialistas recomendam evitar o acúmulo de lixo, entulho, folhas secas, materiais de construção e objetos que possam servir de abrigo para escorpiões. O cuidado deve ser redobrado em áreas urbanas, onde os animais costumam ocupar galerias subterrâneas, redes de esgoto e terrenos abandonados.

Também é importante manter quintais limpos, evitar roupas espalhadas pelo chão e controlar a presença de insetos, principalmente baratas, que servem de alimento para os escorpiões.

O que fazer em caso de picada

A picada de escorpião costuma provocar dor intensa e imediata. Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão, aplicar compressas mornas e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

A atenção deve ser redobrada quando a vítima for uma criança, já que os quadros podem evoluir rapidamente para situações mais graves. Enquanto a maioria dos casos é considerada leve, os envenenamentos mais severos podem exigir a aplicação de soro antiescorpiônico ou antiaracnídico.

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