Política
Publicado em 08/09/2026, às 12h45 Foto: Magnific Amanda Ambrozio
O Brasil teve desempenho abaixo da média dos países avaliados no Pisa 2025 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) nas três áreas analisadas: matemática, ciências e leitura.
Os resultados foram divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e mostram que os estudantes brasileiros permanecem entre os que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem.
O Pisa avalia estudantes de aproximadamente 15 anos e permite comparar o desempenho educacional de diferentes países e economias. Na edição de 2025, participaram 89 países e economias.
Em matemática, o Brasil obteve 377 pontos, contra 463 pontos da média da OCDE. Em ciências, foram 409 pontos, enquanto a média internacional ficou em 482. Já em leitura, os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos, ante 463 pontos da média da OCDE.
Com esses resultados, o Brasil ficou na 71ª posição em matemática, 67ª em ciências e 52ª em leitura.
Apesar das posições baixas no ranking internacional, o desempenho brasileiro não foi o pior entre os países latino-americanos participantes do Pisa 2025.
De maneira geral, o Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile, Costa Rica, Colômbia e México, mas superou Peru, Equador, Argentina, El Salvador e Paraguai. Nenhum dos países latino-americanos avaliados alcançou a média geral da OCDE nas três áreas.
Quando a comparação é feita separadamente, o desempenho brasileiro apresenta diferenças importantes, de acordo com a CNN Brasil.
Em matemática, o Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia. Já em leitura, o país teve resultado inferior apenas aos desempenhos de Chile e Uruguai entre os latino-americanos.
Os resultados também mostram pouca mudança em relação à edição anterior. Em 2022, o Brasil havia registrado 379 pontos em matemática, 403 em ciências e 410 em leitura. Ou seja, as pontuações de 2025 permaneceram próximas às observadas três anos antes.
Entre as três áreas avaliadas, matemática apresentou o pior resultado brasileiro.
Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar mínimo para demonstrar determinadas habilidades básicas. Na média da OCDE, esse percentual chega a 65%.
Na prática, isso significa que cerca de sete em cada dez estudantes brasileiros não alcançam o nível considerado básico pelo Pisa. Esses alunos têm dificuldades para interpretar e reconhecer, sem instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente.
O desempenho de alto nível também é restrito. O percentual de estudantes brasileiros nos níveis 5 ou 6, considerados de alta proficiência, foi próximo de zero, enquanto a média da OCDE chegou a 8%.
Em 13 países e economias participantes do Pisa 2025, mais de 10% dos estudantes alcançaram os níveis mais altos de proficiência em matemática.
Em ciências, 48% dos estudantes brasileiros chegaram ao nível 2 de proficiência ou acima dele. O resultado fica bem abaixo dos 74% registrados na média da OCDE.
Isso significa que mais da metade dos jovens avaliados não consegue, por exemplo, reconhecer uma explicação correta para fenômenos científicos familiares ou utilizar esse conhecimento para avaliar se determinada conclusão é válida.
O desempenho de alto nível também foi baixo: apenas 1% dos estudantes brasileiros alcançou os níveis 5 ou 6 em ciências, enquanto a média da OCDE ficou em 7%.
Os números indicam que as dificuldades não estão restritas ao domínio de conteúdos específicos, mas também envolvem a capacidade de utilizar conhecimentos científicos para interpretar situações e avaliar informações.
Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência. Na média da OCDE, o percentual é de 69%.
Mais da metade dos jovens avaliados no Brasil, portanto, não alcança esse patamar. Entre as habilidades associadas ao nível 2 está a capacidade de identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada.
O país também apresenta uma proporção reduzida de estudantes com desempenho elevado. Apenas 1% dos brasileiros alcançou os níveis 5 ou 6 em leitura, contra 6% na média da OCDE.
Os resultados apontam para dificuldades em competências fundamentais para a compreensão de textos e a interpretação de informações.
Entre os melhores resultados do Pisa 2025 estão as quatro jurisdições chinesas avaliadas em conjunto — Beijing, Xangai, Jiangsu e Zhejiang — e Singapura, que se destacaram nas três principais áreas.
Também aparecem entre os melhores desempenhos Estônia, Japão, Coreia, Macau (China), Taipei Chinesa e Reino Unido.
Apesar das diferenças entre os países, o próprio relatório aponta uma tendência global de queda. A edição de 2025 registrou a menor média da OCDE já observada nas três áreas principais avaliadas pelo Pisa.
O estudo também chama atenção para mudanças no comportamento dos estudantes diante da leitura e do consumo de informações.
Segundo a OCDE, houve um declínio em habilidades importantes, como avaliar informações, estabelecer conexões entre dados de diferentes fontes e exercer pensamento crítico. Ao mesmo tempo, a chamada leitura apressada praticamente dobrou desde 2018.
O cenário ganha relevância diante da expansão do uso de ferramentas de inteligência artificial, que aumenta a necessidade de que os estudantes consigam avaliar criticamente informações e diferenciar conteúdos confiáveis de materiais incorretos ou enganosos.
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