Política
Publicado em 26/04/2026, às 10h23 Quilombo Kalunga - Reprodução: Vídeo g1 Andrezza Souza
O território quilombola Kalunga, considerado o maior do Brasil, vive um momento decisivo com o avanço do processo de tombamento conduzido por órgãos federais.
Com mais de 260 mil hectares e 39 comunidades distribuídas entre municípios do estado de Goiás, a região abriga cerca de 8 mil moradores que mantêm tradições culturais e modos de vida preservados há séculos.
O reconhecimento institucional representa um passo importante para a proteção da memória, da identidade e do território dessa população.
Localizado na região da Chapada dos Veadeiros, no entorno do Distrito Federal, o território Kalunga reúne comunidades formadas por descendentes de africanos escravizados que buscaram refúgio nas áreas montanhosas do Cerrado há mais de 300 anos. Ao longo desse período, as famílias construíram uma identidade cultural marcada por festas religiosas, práticas agrícolas tradicionais, produção artesanal e transmissão de saberes por meio da oralidade.
A própria origem do nome Kalunga está associada a significados ligados ao sagrado e à ancestralidade, refletindo a importância da cultura e da memória coletiva para a comunidade. Lideranças locais destacam que a preservação dessas tradições é fundamental para garantir a continuidade da identidade quilombola e fortalecer o sentimento de pertencimento entre as gerações.
O território passou por diferentes etapas de reconhecimento ao longo das últimas décadas. Ainda nos anos 1990, a região foi reconhecida como patrimônio cultural pelo governo estadual. Posteriormente, outras instituições passaram a reconhecer a relevância histórica e ambiental da área, reforçando seu papel na preservação do Cerrado e na valorização das comunidades tradicionais.
Além da dimensão cultural, o território também se destaca pela importância ambiental. A agricultura familiar e o turismo de base comunitária se tornaram atividades fundamentais para a geração de renda e a permanência das famílias na região, contribuindo para a proteção do bioma e para o desenvolvimento sustentável das comunidades.
O avanço do processo de tombamento é visto pelas lideranças locais como uma conquista histórica, capaz de garantir maior proteção jurídica ao território e aos bens culturais da comunidade. A medida permitirá o reconhecimento oficial de práticas tradicionais, saberes populares e elementos históricos que fazem parte da identidade do povo Kalunga.
O processo inclui a realização de estudos técnicos e a elaboração de um inventário cultural detalhado, que irá registrar as manifestações culturais, os modos de vida e as atividades econômicas desenvolvidas nas comunidades. Esse levantamento também permitirá identificar oportunidades de desenvolvimento local, com foco em atividades sustentáveis e na valorização do patrimônio cultural.
Representantes da comunidade avaliam que o reconhecimento pode facilitar o acesso a políticas públicas, investimentos e projetos voltados à geração de renda, especialmente nas áreas de turismo comunitário, agricultura familiar e preservação ambiental.
Outro ponto considerado estratégico é a proteção contra conflitos fundiários e atividades ilegais, como o garimpo. O tombamento é visto como um instrumento importante para garantir segurança territorial e assegurar que as futuras gerações possam continuar vivendo e produzindo na região.
O cronograma do processo prevê visitas técnicas, reuniões com lideranças e atividades de campo para registro do conhecimento tradicional e mapeamento das comunidades. A expectativa é que, após a conclusão dessas etapas, o território passe a contar com proteção legal mais ampla e com novas oportunidades de desenvolvimento social e econômico.
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