Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 03/11/2026, às 06h34
O advogado Nelson Wilians Fratoni Rodrigues registrou um boletim de ocorrência após receber ameaças de morte e cobranças de dinheiro pelas redes sociais. Ele também relatou uma tentativa de invasão e atos de vandalismo em sua residência, localizada no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.
O caso foi registrado nesta segunda-feira (2), no 78º Distrito Policial, nos Jardins. Segundo o documento, as ameaças foram enviadas pelo Direct do Instagram nos dias 11 e 19 de outubro. Além de mensagens ofensivas, o suspeito teria exigido transferências via Pix e fornecido uma chave vinculada ao próprio CPF.
À polícia, Wilians afirmou que não conhece o autor das mensagens e não possui qualquer relação com ele. O advogado apresentou capturas de tela das conversas e informações sobre o perfil utilizado para auxiliar nas investigações.
O boletim de ocorrência também relata que o suspeito foi até a casa do advogado durante a madrugada. Ele teria chegado correndo, desferido vários chutes contra o portão e tentado entrar no imóvel. Na ocasião, também teria gritado ameaças de morte, arremessado um objeto semelhante a um iPad contra a estrutura e danificado um carro estacionado na rua com socos e chutes.
A ação teria sido interrompida após a intervenção de terceiros e de profissionais da segurança de uma residência em frente ao imóvel. A Polícia Militar foi acionada.
A ocorrência foi registrada como ameaça, extorsão, injúria e tentativa de violação de domicílio. A Polícia Civil solicitou imagens das câmeras de segurança e outros registros digitais para auxiliar na apuração. O advogado manifestou interesse em representar criminalmente contra o suspeito pelo crime de ameaça.
Não houve prisão em flagrante. A investigação deverá analisar as mensagens e as imagens para esclarecer as circunstâncias do caso.
O episódio ocorre enquanto Nelson Wilians é alvo de três investigações que apuram suspeitas de irregularidades financeiras.
Em 2025, ele foi alvo de uma ação da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os crimes apurados estão organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação e dilapidação patrimonial.
Durante a operação, os agentes apreenderam carros de luxo, uma arma, esculturas e quadros na residência do advogado. Wilians nega envolvimento nos crimes.
O nome dele também apareceu na Operação Distrato, que apura um suposto esquema de comercialização de créditos fraudulentos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 3,8 bilhões. O advogado nega participação nas irregularidades e afirma que as operações investigadas foram executadas por um escritório parceiro.
A terceira investigação é a Operação Arena, também conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal envolvendo empresas do setor de apostas esportivas. Wilians também nega qualquer irregularidade nesse caso.
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