Polícia

Como se proteger da gangue "quebra-vidros"? Especialista explica

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A gangue do "quebra-vidros" se aproveita do trânsito para roubar celulares; advogado orienta sobre prevenção e como agir em uma abordagem  |   BNews SP - Divulgação Foto: Magnific
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 24/10/2026, às 06h00



Motoristas parados em congestionamentos ou semáforos podem se tornar alvos da chamada gangue do “quebra-vidros”, grupo que utiliza objetos para estilhaçar janelas de veículos e roubar celulares, bolsas e outros pertences. Na capital paulista, a prática tem motivado operações policiais em corredores de trânsito intenso, como a Marginal do Rio Tietê.

Na terça-feira (20), o Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), da Polícia Civil, realizou uma operação contra a atuação do grupo na Comunidade do Gato, no Bom Retiro, região central de São Paulo.

Segundo as informações divulgadas, os criminosos abordavam veículos principalmente nos horários de pico, quando a lentidão do trânsito dificulta a saída dos motoristas.

Em julho, quatro homens foram detidos pela PM na Barra Funda, também sob suspeita de envolvimento nesse tipo de crime.

Entrevistado pelo BNews São Paulo, o advogado criminalista Guilherme Gama, sócio do escritório Guilherme Gama Advogados Associados, disse que a prevenção começa com atitudes simples no trânsito, como manter distância do veículo da frente e evitar deixar objetos à vista.

Distância e objetos escondidos ajudam na prevenção

Uma das principais recomendações é manter espaço suficiente entre o próprio veículo e o automóvel à frente durante congestionamentos e paradas. A distância deve permitir que o motorista visualize os pneus traseiros do outro carro e tenha espaço para manobrar, caso precise sair rapidamente do local.

“A prevenção primária no trânsito urbano exige a adoção constante de uma postura defensiva voltada para a redução da vulnerabilidade espacial”, explica Gama.

O advogado também orienta que bolsas, mochilas, carteiras e celulares sejam guardados fora do campo de visão de quem está do lado de fora, preferencialmente no porta-malas ou sob os bancos. Deixar o telefone em suportes no painel, principalmente com a tela acesa, pode chamar a atenção dos criminosos.

As películas antivandalismo também podem dificultar a ação, mas não tornam o veículo à prova de impactos. Segundo Gama, esses materiais ajudam a reter os estilhaços e atrasar a quebra completa do vidro, exigindo mais força e tempo para que o criminoso alcance o interior do carro.

O que fazer ao perceber uma aproximação suspeita?

Ao notar uma pessoa se aproximando de forma suspeita, o motorista deve priorizar a própria segurança e avaliar se há espaço para se afastar sem provocar um acidente.

“Caso haja espaço operacional seguro para manobrar, a conduta mais recomendada é acelerar moderadamente e afastar-se do local”, orienta o advogado.

A buzina também pode chamar a atenção de outras pessoas, mas deve ser utilizada apenas quando não houver contato direto e imediato com um agressor armado. Se for necessário avançar um sinal vermelho para escapar de uma ameaça, Gama recomenda verificar cuidadosamente o fluxo de veículos no cruzamento.

Se o vidro já tiver sido quebrado, a orientação é evitar qualquer reação brusca. O motorista deve manter as mãos visíveis, não encarar o agressor fixamente e não fazer movimentos que possam ser interpretados como uma tentativa de resistência.

“O comportamento mais seguro é adotar a linguagem corporal de rendição passiva: manter as mãos visíveis sobre o volante ou erguidas na altura dos ombros, evitar movimentos bruscos ou inesperados”, explica.

O advogado também alerta que tentar atropelar o criminoso pode trazer consequências jurídicas, dependendo das circunstâncias.

Embora a legítima defesa possa ser reconhecida em determinadas situações, uma reação considerada excessiva pode gerar responsabilização criminal. Se a manobra atingir terceiros, também pode haver obrigação de reparar os danos.

O que fazer depois do roubo?

Assim que estiver em um local seguro, a vítima deve bloquear as contas bancárias e os aplicativos financeiros vinculados ao celular roubado. Também é importante solicitar à operadora a suspensão da linha telefônica e o bloqueio do IMEI, código de identificação do aparelho.

Em seguida, deve registrar um boletim de ocorrência com informações sobre o local, o horário, as características do suspeito e os objetos levados. O documento também pode ser necessário para acionar a seguradora do veículo ou do celular.

Gama ressalta que a rapidez é importante para reduzir o risco de golpes e movimentações financeiras indevidas. A vítima deve guardar comprovantes dos bloqueios, a nota fiscal do aparelho e registros de eventuais transações não autorizadas.

O advogado destaca ainda que o crime pode fazer parte de uma cadeia mais ampla, que vai além da abordagem na rua. Segundo ele, os celulares subtraídos podem ser repassados a receptadores e utilizados em tentativas de invasão de contas e fraudes financeiras.

Operações policiais e números em São Paulo

Em nota cedida à reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) classificou o crime do quebra-vidros como uma das modalidades que estão no foco das forças policiais. Entre janeiro e maio de 2026, a Polícia Militar prendeu em flagrante 1.480 pessoas durante a Operação Impacto Quebra-Vidro.

Dados da pasta também apontam que os roubos de celulares na capital paulista caíram 15,2% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, os roubos em geral diminuíram 14,6%, enquanto os furtos tiveram queda de 4,3%.

A SSP afirma que as ações incluem operações direcionadas, apreensão de aparelhos e iniciativas como o SP Mobile e o Frankmobile, voltadas ao enfrentamento de roubos, furtos e receptação de celulares.

A pasta orienta que todos os casos sejam registrados por meio de boletim de ocorrência, inclusive pela Delegacia Digital. O registro permite formalizar o crime e contribui para as investigações policiais.

Classificação Indicativa: Livre

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