Polícia

Justiça nega liberdade a instrutores que jogaram jovem de ponte no interior de SP

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Desembargador do TJSP pediu mais informações ao juiz de primeiro grau sobre o caso  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/ Redes Sociais
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 19/06/2026, às 08h25



Um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa dos instrutores que arremessaram a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, de uma ponte durante a prática de rope jump, no interior de São Paulo, que resultou na sua morte, foi negado pelo Tribunal de Justiça nesta quinta-feira (18). Com isso, Maicon Fernandes Cintra e Luís Felipe Feliciano Egoroff permanecem presos

Maria Eduarda pagou para participar de um salto na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior do estado, sem que as cordas de segurança estivessem presas. A decisão que manteve os instrutores presos foi do desembargador Sérgio Mazina Martins. 

No pedido apresentado ao tribunal, a defesa argumentou que a prisão dos dois deveria ser revogada de forma imediata. O desembargador entendeu não haver elementos suficientes para a concessão de liberdade. 

"Não é o caso de afirmação, por ora, da ilegalidade manifesta da decisão de origem, de sorte que não cabe a concessão da reclamada liminar, sem prejuízo, evidentemente, da avaliação do cenário mais completo dos temas invocados quando do exame do mérito da impetração", diz um trecho da decisão a que o Bnews SP teve acesso. 

Ao negar o pedido, o desembargador destacou que a prisão foi determinada pela Justiça de Limeira com base em diferentes fatores apontados pela investigação. Entre eles estão a suposta tentativa de fuga logo após o acidente, a troca de roupas pelos investigados e o desaparecimento de câmeras que poderiam ter registrado o ocorrido.

"Noticia-se a morte suportada pela vítima em situação de prática esportiva voluntária, notadamente desde a conduta hipoteticamente imputada aos pacientes que, fisicamente, a teriam arremessado inadvertidamente desprovida de cordas desde uma altura sabidamente elevada para a produção de sua morte. [...] Da mesma forma, tem-se também que os pressupostos e requisitos de cautelaridade invocados na decisão foram igualmente arrolados como múltiplos e variados. Dentre eles, aponta-se tentativa de evasão do local, troca de roupas e notícia de desaparecimento de câmeras de gravação, fatos que também estariam, supostamente, sob investigação (fls. 116), denotando, ao olhar da autoridade judiciária de origem, risco à ordem pública, consistente em possibilidade de reiteração infracional, e à instrução criminal", acrescentou o desembargador. 

O desembargador solicitou mais informações a respeito do caso ao juízo natural para que uma nova decisão possa ser tomada.

Ponte
Divulgação/Prefeitura de Limeira

Relembre o acidente

O acidente aconteceu na trilha da Ponte do Esqueleto. De acordo com a PM, dois homens deixaram o local logo após a ocorrência, mas foram localizados posteriormente com o apoio do helicóptero Águia durante buscas em uma área de mata. 

De acordo com o boletim de ocorrência, imagens registradas por testemunhas no momento do acidente mostram que a jovem foi lançada da plataforma sem que os cabos de segurança obrigatórios estivessem conectados ao seu corpo.

Três instrutores responsáveis pela operação da atividade no dia do incidente foram presos em flagrante, identificados como: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor De Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra.

Eles foram acusados de homicídio com dolo eventual, quando se considera que os responsáveis assumiram o risco de causar o resultado fatal.

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