Polícia
por Marina do Val
Publicado em 18/09/2026, às 13h43
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) localizaram uma "passagem secreta" conectando dois imóveis no município de Sorocaba, no interior paulista.
As propriedades são vinculadas ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), e a um de seus assessores.
A ação faz parte da Operação Vectura Corrupta, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, corrupção e infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital e de outras cidades paulistas.
Segundo informações das autoridades, a equipe policial dirigiu-se à residência de um assessor do ex-parlamentar sob a suspeita de que Milton Leite pudesse estar escondido no local.
Embora o ex-vereador não tenha sido encontrado, os investigadores apreenderam R$280 mil e US$89 mil (o equivalente a cerca de R$457 mil) guardados em malas. O morador da residência não soube justificar a origem do montante.
Durante as buscas na casa do assessor, os agentes identificaram a passagem secreta que dava acesso direto à residência vizinha, que pertenceria ao próprio Milton Leite. A segunda casa estava vazia no momento da abordagem.
A polícia suspeita que o ex-parlamentar possa ter passado por algum dos locais antes da chegada das equipes.
A Justiça decretou a prisão temporária de Milton Leite na última quinta-feira (17). Na ocasião, ao constatar que não havia sido localizado em seu endereço na capital, o político divulgou uma nota alegando estar em viagem e prometendo se apresentar em até 24 horas para comprovar sua inocência.
Entretanto, o prazo fixado pelo próprio ex-parlamentar venceu nesta sexta-feira sem que ele tenha comparecido perante as autoridades, mantendo seu status oficial de foragido da Justiça.
A Operação Vectura Corrupta apura a atuação da facção criminosa PCC em concessões de ônibus em São Paulo.
O MPSP estima que ao menos 12 das 22 empresas de transporte público da capital tenham controle ou ingerência direta de integrantes ligados ao grupo criminoso.
Ao todo, a Justiça expediu 16 mandados de prisão. Até a atualização mais recente, 10 suspeitos haviam sido detidos, entre eles Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, enquanto seis investigados permanecem foragidos, incluindo Milton Leite.
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