Polícia
por Marcela Guimarães
Publicado em 04/03/2026, às 09h26
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) durante mais uma etapa da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo apuração do portal Metrópoles, o cunhado de Vorcaro, o empresário Fabiano Campos Zettel, também está entre os alvos da investigação.
A terceira fase da operação mira suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, estes supostamente praticados por uma organização criminosa.
Segundo a PF, o inquérito investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a comercialização de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
No total, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As apurações contam com apoio do Banco Central.
A decisão judicial também determinou o afastamento de servidores públicos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
O objetivo é interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores que possam ter relação com as irregularidades apuradas.
Dois servidores do Banco Central são alvo de afastamento: Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. Ambos já estavam afastados por decisão do presidente do órgão, Gabriel Galípolo.
Vorcaro foi detido em sua residência, na capital paulista, e encaminhado à Superintendência da Polícia Federal. Havia um mandado de prisão preventiva contra ele em aberto.
Não é a primeira vez que o empresário é preso. Em novembro, ele foi detido quando se preparava para embarcar em um voo internacional.
Dez dias depois, conseguiu liberdade e passou a responder sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.
A nova prisão ocorreu no mesmo dia em que Vorcaro deveria prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado.
Na noite anterior, o ministro André Mendonça havia autorizado que o empresário fosse dispensado da obrigação de comparecer à comissão, atendendo a pedido da defesa. Com isso, sua presença virava facultativa.
Na decisão, o ministro destacou a relevância da CPI, mas afirmou que deve ser assegurado ao investigado o direito constitucional de não produzir prova contra si mesmo. Fabiano Zettel também tinha depoimento previsto para hoje.
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