Polícia

Presidente de empresa de ônibus ligada ao PCC tinha relação com operador do esquema de Deolane Bezerra

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Operação Última Parada investiga esquema ligação de empresa de ônibus com o PCC  |   BNews SP - Divulgação Reprodução
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 25/06/2026, às 17h01



O presidente da empresa Transunião, Lourival de França Monário, conhecido como "Orelha", alvo da Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do PCC, tinha relação com verton de Souza, o "Player", ligado ao esquema de Deolane Bezerra e Marcola. As informações são do G1.

Segundo as investigações, o vínculo entre Player e a Transunião ficou comprovado pela transferência de um carro de luxo para o nome do atual presidente da Transunião. A conexão entre os dois inquéritos reforça que Everton tinha papel central no núcleo financeiro do PCC.

Na denúncia oferecida pelo MP no caso da Operação Vérnix, ele é descrito como o homem responsável por supervisionar prestações de contas e o fluxo de valores de uma estrutura usada para ocultar e reinserir dinheiro do crime organizado na economia formal por meio de uma transportadora em Presidente Venceslau, no interior paulista.

Na avaliação dos investigadores, a prisão de Everton reforça "indícios de que a estrutura empresarial relacionada à Transunião Transportes S.A. possa estar sendo instrumentalizada para circulação, ocultação e integração de ativos ilícitos", diz um trecho do inquérito policial.

Operação Última Parada

A Operação Última Parada foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (25), pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Os agentes cumprem cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão.

A investigação, iniciada a partir do assassinato de Adauto Soares Jorge (até então presidente da companhia), em 2020, coligiu provas robustas no tocante à utilização da concessionária, que só em 2025 auferiu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano, pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital para a prática de lavagem de capitais.

A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, bem como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e a comunicação à prefeitura para adoção das providências administrativas, regulatórias e contratuais cabíveis, incluindo intervenção administrativa, garantindo assim a regularidade do atendimento à população.


De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, no curso da investigação comprovou-se a existência de um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. Além disso, a própria mudança societária da companhia, segundo a investigação, teve origem delituosa, havendo um salto em seu capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões sem que a origem desses novos recursos ficasse clara.

Outro fator que chamou a atenção do MPSP e da Polícia Civil foi o fato de o circuito econômico usado para a lavagem de capitais detectado na Operação Última Parada ter pontos de contato com os dos esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, esta última deflagrada pela Polícia Federal com foco no tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a 'Ndrangheta, grupo mafioso sediado na Itália.

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