Polícia
por Marcela Guimarães
Publicado em 28/06/2026, às 16h17
Preso temporariamente pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira (SP), João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva divulgou uma carta na qual nega ter retirado a câmera GoPro que estava com a vítima após a queda.
O equipamento ainda não foi encontrado e é considerado uma das principais provas da investigação.
Na carta, divulgada por sua defesa, João afirma que a câmera pode esclarecer o que aconteceu após o acidente e faz um apelo para que a imprensa e pessoas que estavam no local ajudem a localizar o equipamento.
Segundo ele, a GoPro pode ter sido levada junto com mochilas retiradas da ponte após o acidente.
Pivetta está preso temporariamente. A Justiça prorrogou sua detenção por mais 30 dias. O Ministério Público sustenta que ele retirou a câmera das mãos de Maria Eduarda logo após a queda, o que caracterizaria supressão de prova.
O suspeito nega a acusação. Na carta, afirma que trabalhava apenas na parte inferior da ponte, auxiliando na retirada das cordas, e que correu para socorrer a jovem após ouvir o impacto da queda.
Segundo o relato, ele verificou que Maria Eduarda ainda apresentava sinais vitais, acionou colegas pelo rádio e auxiliou as equipes de resgate e os bombeiros durante o atendimento.
De acordo com o Ministério Público, uma testemunha afirmou ter visto João retirar a câmera segundos após a queda. Em depoimento à Polícia Civil, ele negou ter pegado o equipamento.
Além dele, outras duas pessoas foram presas temporariamente por suspeita de destruição de provas e omissão de informações.
Já os três instrutores que aparecem nas imagens lançando Maria Eduarda da ponte foram indiciados por homicídio com dolo eventual e permanecem presos preventivamente.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser lançada de uma altura de cerca de 40 metros sem estar conectada às cordas de segurança durante a prática de rope jump. A prática no local era considerada ilegal.
“Declaração à imprensa.
Eu, João Antonio Pivetta, venho através dessa carta prestar a minha versão. Eu estava prestando um serviço (bico) para a empresa Entre Cordas sem saber que a empresa era clandestina.
Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e eu apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda.
Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração, então eu chamei ajuda no rádio, ‘Pede para o [nome de colega] descer aqui para fazer massagem cardíaca pois ele é bombeiro’.
Depois da segunda vez que eu pedi o rádio o [nome de colega] desceu rápido no rapel e foi até a Maria Eduarda. Eu não vi o que ele fez pois a enfermeira estava descendo [e] eu sinalizei o local.
Muita gente desceu até o local nesse momento, [nomes dos colegas]. Para a enfermeira fazer a massagem cardíaca, eu abri o mosquetão que ficava sobre o peito da Maria Eduarda na frente da enfermeira.
Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto.
Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia pois as gravações no dia podem ajudar a esclarecer os fatos. Eu sou um pai comum que prestava serviço para complementar a renda para pagar as contas.
Mais pessoas que estavam ajudando na ponte viram eu ajudando as viaturas e os resgates a chegarem no local, a desatolar a ambulância dos bombeiros. Peço a ajuda desses bombeiros para falar que eu fiquei no local ajudando as equipes de resgate.
Peço a ajuda do policial que me liberou para ir embora no dia.
Eu presto meus sentimentos à família da Maria Eduarda. Eu sou apenas um trabalhador comum, apenas um pai pedindo a ajuda de vocês.
Nomes que eu acredito ter levado a câmera para cima da ponte, [nome do colega], porque desceu muito rápido, não sabia fazer massagem cardíaca e ficou sozinho com a Maria Eduarda. [Nome do colega] porque ele estava embaixo e [nome do colega] pediu para ele subir para a parte de cima da ponte por rádio.
Por favor ajudem a achar essa câmera.
Como as reportagens disseram que mochilas foram levadas até os carros por outros membros da Entre Cordas, pode ser que a câmera esteja dentro de alguma mochila, dentro de algum carro, porém peço a ajuda de vocês.
Sou apenas um ser humano comum que trabalha e tenta fazer uma renda a mais para pagar as contas e educar os filhos”.
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