Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 22/10/2026, às 07h45
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou, na noite de quarta-feira (21), a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para pedir a apuração de uma possível manipulação política e abuso de autoridade envolvendo a Polícia Militar de São Paulo e o senador eleito Guilherme Derrite (PP). A denúncia está relacionada a uma operação contra o tráfico de drogas na comunidade Vitória Pantanal, em Piracicaba, no interior paulista.
Durante a ação, três jovens foram conduzidos à delegacia, entre eles um adolescente de 17 anos. Os suspeitos vestiam camisetas com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A mãe do adolescente, no entanto, afirma que o filho usava outra roupa no momento da abordagem e que a camiseta teria sido colocada pelos policiais.
A operação foi realizada por equipes do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) e do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), ambos de Piracicaba.
Segundo o Metrópoles, a representação encaminhada à PGE, o PT sustenta que teria ocorrido uma tentativa de manipulação política para produzir um vídeo capaz de gerar repercussão negativa nas redes sociais e prejudicar a campanha petista às vésperas do segundo turno.
O partido também solicitou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar uma possível fraude eleitoral por meio da divulgação de notícias falsas, além de eventuais abusos cometidos contra o adolescente.
Em nota, a legenda defendeu que sejam ouvidos a mãe dos jovens, os policiais envolvidos na gravação e Guilherme Derrite, que publicou imagens da operação nas redes sociais.
“Para esclarecer o escândalo, a denúncia exige que as autoridades ouçam a mãe das vítimas, os policiais militares que forjaram a gravação e o senador Guilherme Derrite, que terá que explicar de quem recebeu o material fraudulento e se tinha conhecimento da armação quando decidiu publicá-lo na internet”, afirmou o PT.
As acusações apresentadas pelo partido ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Segundo o Metrópoles, a Polícia Militar informou que a operação foi motivada por uma denúncia anônima sobre três homens que estariam comercializando entorpecentes em uma viela próxima a um bar, na Rua Senador Saraiva. Conforme a corporação, os suspeitos usavam camisetas brancas com referências a Lula, e um deles estaria armado.
Os dois adultos, de 21 e 24 anos, foram presos em flagrante, enquanto o adolescente de 17 anos foi apreendido. A PM informou que encontrou 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340 durante a ação.
Imagens da ocorrência foram divulgadas por Guilherme Derrite em seu perfil no Instagram. Ao comentar o caso, o parlamentar defendeu o endurecimento das leis penais e a redução da maioridade penal.
“Crime não pode ser relativizado. Nós seguimos defendendo leis mais duras, punição de verdade e REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL JÁ!”, escreveu.
Em entrevista ao Metrópoles, Edna Souza Barbosa, de 33 anos, mãe do adolescente, negou que o filho estivesse usando uma camiseta com referências ao presidente no momento da abordagem.
“Meu filho estava com uma blusa azul regata, não estava com blusa de Lula. […] Tudo molecada, tudo desandado, na vida errada, então não estão nem aí pra eleição. Ele não estava com a blusa, ele estava com outra blusa, mas não com blusa de Lula. Não porque era do Lula, não, mas porque ele não liga pra essas coisas”, declarou.
Edna também acusou os policiais de agredirem o filho e outra filha, de 14 anos, que teria tentado se aproximar do irmão durante a ocorrência.
A mãe ressaltou que não pretendia justificar as atitudes atribuídas ao adolescente, mas criticou a forma como a abordagem teria sido conduzida.
“Não estou falando que o meu filho estava certo. Não, jamais. Ele estava errado. Usando droga, fazendo o que não era para ser feito. Porém, não precisava eles reagirem da forma que reagiram. […] E colocaram a camisa para ter ibope, para ter engajamento. Não sei qual foi a intenção deles”, afirmou.
As camisetas usadas pelos jovens, segundo o relato, eram do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Na manhã de quarta-feira (21), a entidade participou de um ato em apoio a Lula organizado pelo movimento estudantil da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba. A manifestação reuniu estudantes, funcionários, professores e pesquisadores.
Ainda na quarta-feira, duas mulheres que vestiam camisetas da Apeoesp em apoio a Lula relataram ter sido intimidadas por policiais militares na comunidade Vitória Pantanal. Segundo elas, os agentes teriam ordenado que retirassem as peças de roupa.
As mulheres afirmaram que estavam saindo para trabalhar quando passaram por uma viela e ouviram um aviso sobre a chegada da polícia.
Os relatos ocorreram no mesmo dia da operação contra o tráfico de drogas e ampliaram as denúncias envolvendo a atuação policial na comunidade. As acusações de abuso e de possível manipulação das imagens ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.
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