Política

Advogado preso em esquema de propina multiplicou patrimônio por dez e acumulou R$ 314 milhões, diz MP

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João André Buttini é acusado de liderar organização criminosa que cobrava propina em troca de créditos tributários em São Paulo  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução / redes sociais

Publicado em 04/09/2026, às 09h28   Natane Ramos



Nesta quinta-feira (3), o advogado João André Buttini de Moraes, foi preso após suspeita de envolvimento em um esquema de propina. De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o investigado multiplicou por dez o patrimônio declarado entre 2017 e 2024.

A fortuna de Buttini passou de R$ 30,5 milhões para R$ 314,2 milhões em sete anos. Segundo os investigadores, mais de 99% da renda declarada pelo advogado era composta por dividendos isentos de impostos distribuídos pelas empresas relacionadas a ele.

O MP-SP aponta Buttini como líder do esquema de uma organização criminosa que cobrava propina para intervir na análise e na concessão de créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo.

Ainda segundo a investigação, as contas pessoais do advogado registraram uma movimentação bruta de R$ 2,12 bilhões entre janeiro de 2018 e novembro de 2025.

A investigação excluiu as operações e identificou R$ 383,47 milhões em recursos efetivamente recebidos de terceiros. Desse total, 87,7% vieram das empresas relacionadas a Buttini, como o escritório Buttini de Moraes Sociedade de Advogados, a BM Tax, a BM Investimentos e a Juri Consultoria Empresarial.

Secretaria da Fazenda se manifesta

Em nota, a Secretaria da Fazenda se manifestou sobre o ocorrido ao g1. Confira na íntegra:

"Desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, a Secretaria da Fazenda e Planejamento atua em conjunto com o Ministério Público de São Paulo na apuração rigorosa dos fatos. As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 17 servidores afastados sem remuneração.

As empresas envolvidas também estão sendo responsabilizadas, com autuações específicas que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.

Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.

A Secretaria colabora integralmente com as investigações e reafirma seu compromisso com a rigorosa apuração e responsabilização de eventuais desvios, sem qualquer tolerância com condutas irregulares."

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