Política
por Bernardo Rego
Publicado em 12/06/2026, às 07h26
O Ministério Público de São Paulo apreendeu cartas manuscritas pelo ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, preso novamente após determinação da Justiça de São Paulo por liderar um esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). Artur é acusado de chefiar fraudes que movimentaram mais de R$ 1 bilhão em créditos de ICMS.
Na nova prisão, o juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, destacou que o acusado exercia um papel central em uma estrutura criminosa complexa e altamente organizada.
De acordo com a CNN Brasil, os documentos foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão realizados na quarta-feira (10), em São Paulo. Em uma das cartas, Artur pede que um dos investigados assine uma procuração para o advogado responsável pela defesa do grupo.
“Confia em mim, pode assinar a procuração para (advogado de Arthur) assinar por favor. Isso é muito importante para vencermos tudo. Você me conhece muito bem para saber que sou eu falando”, diz o manuscrito.
Outra carta, intitulada “obrigações a fazer”, traz anotações relacionadas a pagamentos e movimentações financeiras. Entre os itens listados aparecem frases como “fazer conexão de trabalho”, “receber honorários da Fast Shop” e “negociar dívidas”.
Em outro trecho, direcionado a uma pessoa identificada como Rafael, Artur orienta o investigado a não colaborar com o Ministério Público.
“Rafael, não faça acordo com o MP, não faça delação, não confie no MP. Fica tranquilo que nós vamos resolver tudo”, escreveu. Ao final da mensagem, ele assina como “The King”.
De acordo com as investigações, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo já contabiliza R$ 5,75 bilhões em danos relacionados ao esquema. Desse total, R$ 1,93 bilhão estão ligados a créditos de ressarcimento e R$ 3,82 bilhões a outros créditos investigados.
O ex-auditor já foi denunciado formalmente pelo Ministério Público em episódios de irregularidades envolvendo grandes redes varejistas e farmacêuticas, como a Fast Shop, a Ultrafarma e a Rede 28.
As investigações também apontam um prejuízo estimado em R$ 1,74 bilhão à Receita Federal do Brasil.
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