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PF aponta estrutura financeira entre Banco Master e grupo ligado ao PCC

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Conversas encontradas no celular de diretor da Trustee indicam ordens atribuídas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 12/09/2026, às 11h15



A Polícia Federal identificou uma estrutura financeira em comum entre operações atribuídas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e empresários investigados por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

Segundo documentos enviados à 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo e cujo sigilo foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, o ponto de conexão seria a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e seu diretor, Artur Martins de Figueiredo.

A ligação apareceu durante a Operação Quasar, que investigava a suspeita de utilização de fundos de investimento para ocultar patrimônio e recursos atribuídos aos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

Ao analisar o celular de Artur, apreendido durante a operação, os investigadores encontraram conversas relacionadas a operações do Banco Master.

Nas mensagens, Ascendino Madureira Garcia, conhecido como Dino, aparece repassando a Artur ordens atribuídas a Vorcaro.

PF identifica intermediário entre Vorcaro e diretor da Trustee

De acordo com a PF, Ascendino funcionaria como um intermediário entre Daniel Vorcaro e Artur Martins.

Nas conversas analisadas, Dino receberia demandas atribuídas ao banqueiro e cobraria de Artur a execução técnica das operações por meio dos fundos administrados pela Trustee.

Em uma das mensagens, após receber uma planilha que apresentava uma complexa rede de fundos, empresas e cotistas, Ascendino respondeu com uma figurinha de Leonardo DiCaprio no filme "O Lobo de Wall Street".

Para os investigadores, as conversas podem indicar o uso de fundos e empresas para realizar ajustes contábeis, alterar avaliações de ativos e dar aparência de regularidade a transações consideradas suspeitas.

A PF descreveu o fluxo das operações da seguinte forma: Vorcaro seria o beneficiário final, Ascendino atuaria como intermediário e Artur seria responsável pela execução técnica e formalização das operações nos fundos administrados pela Trustee.

Operação Quasar investigava grupo do setor de combustíveis

A Operação Quasar tinha como objetivo investigar a suspeita de que fundos administrados pela Trustee, pela Reag e pela antiga Ruby Capital eram utilizados para esconder a verdadeira propriedade de imóveis, empresas e outros ativos.

Segundo o g1, parte desses fundos mantinha negócios com empresas atribuídas a Mohamad Hussein Mourad e a pessoas ligadas a ele.

Mohamad é apontado pelos investigadores como parceiro de Beto Louco no controle de empresas do setor de combustíveis, entre elas a Aster Petróleo e a Copape. A PF afirma que Beto Louco seria o proprietário de fato do grupo econômico e integrante do PCC, enquanto Mohamad atuaria no núcleo operacional.

A investigação aponta que recursos ligados ao setor de combustíveis eram transferidos para fundos de investimento e empresas distribuídos em diferentes camadas. Dessa forma, os bens deixariam de aparecer diretamente em nome dos supostos beneficiários e passariam a pertencer formalmente às estruturas financeiras.

A Trustee, dirigida por Artur, administrava parte dos fundos apontados pelos investigadores como instrumentos dessa blindagem patrimonial.

Foi durante o cumprimento dos mandados da Operação Quasar que o celular de Artur foi apreendido. A análise do aparelho acabou revelando as conversas relacionadas ao Banco Master.

Mesma engrenagem aparece em investigações diferentes

Até a descoberta das mensagens, as duas investigações tinham objetos distintos. De um lado, a PF apurava suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresários do setor de combustíveis. De outro, investigava operações relacionadas ao Banco Master.

A identificação das conversas levou a PF a solicitar o compartilhamento das provas entre os dois inquéritos.

Segundo os investigadores, a Trustee aparece nos dois contextos porque administrava fundos relacionados às operações atribuídas ao grupo de Mohamad e, ao mesmo tempo, executava demandas vinculadas ao Banco Master.

A estrutura envolveria fundos de investimento, empresas e sociedades de propósito específico (SPE), criando diferentes camadas entre os recursos e seus possíveis beneficiários finais.

No núcleo relacionado ao setor de combustíveis, a suspeita é de que essa estrutura fosse utilizada para ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários dos ativos.

Já nas operações relacionadas ao Banco Master, as mensagens encontradas no celular de Artur apontariam para movimentações financeiras, ajustes contábeis e alterações no valor de fundos e ativos.

Trustee foi liquidada pelo Banco Central

A Trustee teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 3 de setembro. A instituição tinha histórico de ligação com Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, e prestava serviços ao banco.

Na mesma decisão, o BC também determinou a liquidação da Banvox, igualmente relacionada a Quadrado.

Segundo o Banco Central, foram identificadas “graves violações” às normas que regulamentam o funcionamento das instituições financeiras.

A liquidação da Trustee ocorreu enquanto as investigações sobre as operações financeiras avançavam e depois de a PF identificar, no celular de Artur, as conversas que conectaram a estrutura administrada pela empresa aos dois núcleos investigados.

Defesas negam irregularidades

As acusações contra Beto Louco e Mohamad fazem parte de investigações que também resultaram em denúncia por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica em um esquema estimado em R$ 1 bilhão. Os dois são considerados foragidos.

A defesa de Mohamad afirmou, em manifestação sobre as acusações da Operação Carbono Oculto, que as investigações apresentam “fatos não provados” dentro de uma narrativa que classificou como desconectada da realidade.

A defesa de Beto Louco declarou que demonstrará a improcedência das acusações.

As defesas de Daniel Vorcaro, Ascendino Madureira Garcia, Artur Martins e da Trustee ainda não se manifestaram sobre o caso.

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