Política

EUA e Irã desembarcam no Paquistão sem confirmação de negociações

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Delegações dos EUA e Irã viajam a Islamabad em meio a impasse militar, bloqueio no Estreito de Ormuz e incertezas sobre nova rodada de conversas  |   BNews SP - Divulgação Bandeira dos EUA e Irã - Reprodução: Freepik
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 25/04/2026, às 09h52



Delegações dos Estados Unidos e do Irã chegaram ao Paquistão neste fim de semana em meio a incertezas sobre a retomada das negociações e ao aumento das tensões militares no Estreito de Ormuz. O encontro ocorre após a extensão unilateral de um cessar-fogo pelos americanos e diante de um impasse que afeta o comércio global de energia.

Delegações viajam a Islamabad em meio a dúvidas sobre negociações

Os enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, viajaram ao Paquistão neste sábado (25) com o objetivo de manter conversas com representantes iranianos. A delegação norte-americana chegou em um cenário de incerteza sobre a realização de uma nova rodada de negociações.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chegou à capital paquistanesa, Islamabad, na sexta-feira (24). Segundo comunicado da chancelaria do país, o ministro terá reuniões com autoridades paquistanesas para discutir os acontecimentos recentes na região e os esforços voltados à estabilidade.

Apesar da presença das delegações, autoridades iranianas afirmaram que não havia previsão de encontro direto com representantes dos Estados Unidos.

O Paquistão atua como mediador nas conversas, que haviam sido iniciadas semanas antes, mas foram suspensas após poucas horas. Desde então, o cessar-fogo foi prorrogado unilateralmente pelos Estados Unidos por tempo indeterminado.

Impasse militar e bloqueio no Estreito de Ormuz ampliam tensões

As incertezas sobre a retomada das negociações ocorrem em um momento de escalada militar envolvendo o controle do Estreito de Ormuz, considerado a principal rota marítima de transporte de energia do mundo.

O Irã bloqueia quase todos os navios que tentam atravessar a região desde o início do conflito. Dados de navegação indicaram que apenas cinco embarcações cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, número inferior à média registrada antes da guerra.

A tensão aumentou após o Irã apreender navios cargueiros e intensificar ações contra embarcações na região. Em resposta, os Estados Unidos ampliaram operações militares e mantiveram restrições à navegação iraniana.

O presidente Donald Trump afirmou que deseja um acordo permanente com o Irã, mas declarou que os Estados Unidos mantêm vantagem estratégica no impasse.

Preços do petróleo e impacto econômico entram no radar internacional

O conflito entre Estados Unidos e Irã tem provocado instabilidade nos mercados globais, especialmente no setor de energia. O bloqueio das exportações de petróleo iraniano e a redução do fluxo marítimo elevaram a volatilidade dos preços internacionais.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 105,33 por barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate registrou queda para US$ 94,88. O cenário reflete a preocupação dos investidores com possíveis interrupções no abastecimento global.

O aumento dos preços da energia também elevou o custo de combustíveis e produtos em diferentes regiões, ampliando os efeitos econômicos do conflito.

Cessar-fogo e confrontos paralelos mantêm cenário instável

Enquanto as negociações seguem indefinidas, conflitos paralelos continuam no Oriente Médio. Israel e Líbano prorrogaram por três semanas um cessar-fogo intermediado pelos Estados Unidos, mas confrontos ainda são registrados na região.

Autoridades libanesas relataram mortes após ataques israelenses, enquanto o grupo Hezbollah afirmou ter abatido um drone militar. O exército israelense declarou ter eliminado combatentes do grupo armado no sul do país.

O Irã afirmou que a existência de um cessar-fogo é condição para o avanço das negociações diplomáticas.

Com informações de Steve Holland, Ryan Patrick Jones, Bhargav Acharya, Kanisha Singh, Alex Richardson, Sharon Singleton, Andrea Shalal e Daniel Trotta, da Reuters, CNN Brasil.

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