Política

Governo de SP chama o PT de “narcoafetivo” após ataque dos EUA à Venezuela; entenda

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Felício Ramuth reforçou o discurso de Tarcísio de Freitas ao classificar o PT como “narcoafetivo” após ataque estadunidense à Venezuela  |   BNews SP - Divulgação Foto: RS/Fotos Públicas
Marcela Guimarães

por Marcela Guimarães

Publicado em 05/01/2026, às 17h25



Nesta segunda-feira (5), Felício Ramuth (PSD), governador em exercício de São Paulo, ampliou as críticas feitas por Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao PT após a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Durante uma agenda na zona sul da capital paulista, Ramuth classificou o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “narcoafetivo”.

A fala ocorreu enquanto ele comentava a possibilidade de São Paulo receber uma nova onda de imigrantes venezuelanos, em meio ao cenário político e humanitário no país vizinho.

“Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas que estão na fronteira a retornar ao seu país, onde ele [o cidadão venezuelano] vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado narcoafetivo, como o PT que nós temos aqui no nosso país. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo. Assim como a gente tinha o regime na Venezuela narcodependente”, disse o político.

Apoio à ação dos EUA

No sábado (3), o governador Tarcísio de Freitas já havia sinalizado apoio à operação norte-americana que resultou na prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, apesar das críticas internacionais por violação do direito internacional.

Ramuth, que comanda o governo paulista até o dia 11 de janeiro durante as férias do titular, seguiu a mesma linha ao classificar como “correta” a iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista, chamou Maduro de “criminoso”.

Nicolás Maduro
Nicolás Maduro (Foto: USS Iwo Jima/Fotos Públicas)

Possibilidade de novas ações

Questionado sobre declarações de Trump indicando que uma medida semelhante poderia ocorrer em outros países, como a Colômbia, Ramuth afirmou que novas intervenções não estariam descartadas caso crimes sejam identificados.

“Mas o que a gente percebe é que, no fato da Venezuela, foi uma ação mais do que acertada. A gente espera que a Colômbia não tenha que passar por isso, que a população colombiana também não tenha que passar por isso. Apesar de a gente saber que a Colômbia é um narcoestado também, mas tem uma grande população, uma população de bem”, afirmou.

Críticas ao direito internacional

Ramuth esteve acompanhado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que também defendeu a atuação dos Estados Unidos e minimizou as críticas envolvendo a violação do direito internacional.

“Que direito internacional se pode avocar quando você tem uma situação de uma eleição fraudada, de alguém que coloca 90% da população em estado de pobreza, quando você tem um Estado que expulsa 8 milhões de venezuelanos? É muita demagogia as pessoas virem falar de uma questão como essa, numa situação específica de um país que estava vivendo a base de ações do narcotráfico e colocando toda a sua população em um estado de pobreza e de força pela ditadura”, afirmou o prefeito.

O representante do MDB ainda comentou sobre a situação da Colômbia e defendeu ações mais duras contra o narcotráfico.

Reação internacional

O discurso do prefeito se alinha à ideia de Trump, que tenta justificar a ação na Venezuela ao acusar Maduro de liderar uma organização criminosa chamada Cartel dos Sóis, cuja existência é contestada por especialistas.

Segundo apuração do Metrópoles, o estadunidense também já chamou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de “traficante produtor de cocaína”.

Petro reagiu publicamente às acusações. “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que chegou ao poder pela luta armada e, depois, pela luta do povo colombiano pela paz”, declarou o político no X (antigo Twitter).

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