Política

Promotor do MPSP é cotado para comandar ministério no governo Lula

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Com quase 20 anos de atuação contra o PCC, promotor Gakiya vive sob escolta e já enfrentou cinco planos de assassinato da facção criminosa  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação
Tatiana Ribeiro

por Tatiana Ribeiro

Publicado em 28/10/2026, às 06h39



O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), está entre os nomes cotados para integrar o ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir de janeiro de 2027, no início do quarto mandato do petista. Conhecido pela atuação no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), ele afirmou ao Metrópoles que aceitaria um eventual convite, mas ressaltou que ainda não foi procurado oficialmente.


Fontes do Ministério Público ouvidas pelo Metropoles confirmaram que Gakiya está entre os possíveis indicados. O promotor também teria contribuído com sugestões para a campanha do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. “Acho que o Lula faria um golaço com o Lincoln”, afirmou uma das fontes, sob reserva.


Na disputa pela possível vaga, Gakiya concorreria com o atual secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas. O secretário conta com o apoio do governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles, que estreitou relações com Lula durante a campanha do segundo turno e acompanhou o presidente no discurso da vitória, no domingo passado, em São Paulo.

Ainda de acordo com o Metrópoles, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, também poderia representar um obstáculo à indicação de Gakiya. Há, contudo, a possibilidade de Rodrigues deixar o comando da corporação para assumir outra função no governo federal.


Convite de Caiado foi recusado


Durante a campanha presidencial, Gakiya recebeu um convite do então candidato à Presidência e ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), mas recusou a proposta. Na ocasião, o promotor alegou que assumir o cargo seria incompatível com sua função no Ministério Público.


Atuação contra o PCC


Aos 59 anos, Lincoln Gakiya acumula cerca de duas décadas de atuação no combate ao PCC. Em razão das ameaças atribuídas à facção, ele vive há mais de dez anos sob escolta de grupos de elite da Polícia Militar. A primeira ordem de execução contra o promotor teria sido decretada por lideranças do grupo criminoso em 2005.


Gakiya atua no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em Presidente Prudente, no interior paulista. Entre os casos de maior repercussão de sua carreira está o pedido de transferência de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como principal líder do PCC, para um presídio federal em Brasília, no fim de 2018.


Ao longo dos anos, as autoridades identificaram cinco planos da facção para matá-lo. Em entrevista ao programa Acorda, do Metrópoles, em 2025, o promotor revelou ter cogitado pedir asilo após a aposentadoria.


A declaração ocorreu depois do assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz, morto em setembro de 2025, em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

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