Polícia
Publicado em 30/08/2026, às 08h15 Em 2026, as eleições serão realizadas em outubro - Foto: Tânia Rêgo/Reprodução Agência Brasil Amanda Ambrozio
Candidatos de diferentes partidos e espectros políticos encontraram uma brecha para continuar sendo recomendados pelo Instagram durante a campanha eleitoral, apesar da regra que proíbe as redes sociais de sugerir perfis de candidatos a usuários que não os seguem.
Em São Paulo, dezenas de candidatos, principalmente do Missão, mas também do PT, continuam aparecendo entre as sugestões de contas da plataforma.
A situação ocorre porque, no registro de candidatura entregue à Justiça Eleitoral, os políticos informaram apenas suas arrobas (@nomedoperfil), sem indicar de forma completa a qual rede social cada perfil pertence.
Durante o período eleitoral, as plataformas devem suspender a recomendação de perfis de candidatos para pessoas que não os seguem. Para que isso seja possível, porém, a Justiça Eleitoral precisa identificar corretamente as contas oficiais informadas pelos concorrentes.
Na prática, o candidato que utiliza, por exemplo, a arroba “fulano” no Instagram e “fulano9999” no X deveria informar os endereços completos das contas, como Instagram.com/fulano e x.com/fulano9999.
Em São Paulo, entretanto, parte dos candidatos preencheu o registro apenas com o nome de usuário, sem indicar a plataforma correspondente.
Com isso, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encaminha às plataformas a relação de perfis que devem ter a recomendação suspensa, algumas contas não são identificadas corretamente e continuam sendo sugeridas aos usuários.
Um dos casos identificados é o de Gabriel Piauhy (Missão), influenciador que possui mais de 250 mil seguidores no Instagram.
No registro de candidatura, ele informou apenas a expressão “gabrielpiauhysp”, sem especificar a rede social. A apuração constatou que a mesma arroba é utilizada por ele no Instagram e no X.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo não solicitou a complementação da informação. O procurador José Ricardo Meirelles também optou por não apresentar impugnação ao registro da candidatura.
Situação semelhante ocorre com Pedro Tourinho (PT), que foi candidato à Prefeitura de Campinas em 2024 e agora disputa uma vaga de deputado federal.
Ele informou somente a arroba “TourinhoPedro”, utilizada simultaneamente no Instagram, no X e no TikTok, sem indicar no registro quais plataformas correspondem aos perfis.
Um levantamento realizado a partir da base de dados de candidaturas em São Paulo identificou 125 arrobas informadas ao TRE sem necessariamente haver a indicação completa da plataforma.
Segundo o portal Metrópoles, a maioria dos casos está relacionada a candidatos do Missão, seguida por nomes do PT.
Nem todos os registros, porém, apresentam o mesmo problema. Há candidatos que informaram a arroba acompanhada do endereço correto da rede social. É o caso do deputado Kim Kataguiri (Missão).
Uma verificação manual feita por amostragem apontou que cerca de metade dos candidatos do Missão não informou corretamente a rede social em que mantém seus perfis.
Questionado sobre os registros incompletos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que a informação incorreta ou incompleta das redes sociais utilizadas pelos candidatos viola a legislação eleitoral e pode resultar em multa.
Segundo o tribunal, a obrigação de informar corretamente os perfis deve ser cumprida no momento do registro da candidatura. Durante a campanha, também é proibida a utilização de aplicações ou endereços eletrônicos que não tenham sido devidamente comunicados à Justiça Eleitoral.
O TSE informou ainda que encaminhou orientações aos partidos políticos, ao Ministério Público e aos Tribunais Regionais Eleitorais sobre as regras previstas na Resolução TSE nº 23.609/2019.
A legislação prevê sanções para candidatos e demais responsáveis que descumprirem as regras de propaganda eleitoral na internet.
A Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e Threads, afirmou que trabalha para impedir a recomendação de contas de candidatos durante o período eleitoral.
Segundo a empresa, as informações sobre os perfis oficiais são incorporadas e atualizadas continuamente à medida que as campanhas comunicam suas contas à Justiça Eleitoral.
A empresa também afirmou manter diálogo com o TSE para aperfeiçoar o processo e corrigir eventuais falhas na identificação dos perfis.
O Missão em São Paulo foi procurado, mas não se manifestou. O PT paulista, por meio de seu departamento jurídico, reconheceu que alguns perfis foram identificados apenas com base no nome de usuário e afirmou que eventuais erros serão corrigidos.
O problema, portanto, não está necessariamente na criação de uma nova regra pelos candidatos, mas na forma incompleta como alguns perfis foram declarados à Justiça Eleitoral.
Ao não informar a plataforma correspondente a determinada arroba, o candidato pode acabar ficando fora da relação de contas que devem ter as recomendações suspensas.
Na prática, isso permite que perfis de candidatos continuem sendo apresentados pelo Instagram a usuários que não os seguem, ampliando o alcance orgânico dessas contas durante a campanha.
Para o TSE, a identificação correta é necessária para garantir a regularidade da propaganda eleitoral na internet, além de aumentar a transparência e a rastreabilidade das informações.
O tribunal ressaltou que os candidatos que fornecerem dados incorretos ou incompletos estão sujeitos às sanções previstas na legislação eleitoral.
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