Política
Publicado em 03/06/2026, às 20h40 Foto: Magnific/frimufilms Andrezza Souza
O Banco Central (BC) voltou a acender o alerta para a situação financeira das famílias brasileiras. Em ata divulgada nesta quarta-feira (3), o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) destacou que os níveis de endividamento e de comprometimento da renda permanecem elevados e seguem em trajetória de crescimento.
Segundo o documento, o cenário atual combina juros ainda elevados com um volume expressivo de dívidas acumuladas, aumentando a pressão sobre o orçamento doméstico e exigindo maior atenção das instituições financeiras na concessão de crédito.
Na avaliação do Banco Central, um dos fatores que mais preocupam é a mudança no perfil das dívidas contratadas pelas famílias.
O órgão observa um aumento da participação de modalidades com juros mais altos, como cartão de crédito e outras linhas de financiamento consideradas mais onerosas. Esse movimento tende a elevar o comprometimento da renda com o pagamento de parcelas nos próximos meses.
De acordo com o Comef, o avanço dessas modalidades pode ampliar os riscos de inadimplência e aumentar a vulnerabilidade financeira das famílias.
Dados referentes a março mostram que o endividamento das famílias junto ao sistema financeiro atingiu 49,8% da renda acumulada em 12 meses, índice próximo ao maior patamar já registrado, de 49,9%, observado em fevereiro.
Quando o crédito imobiliário é desconsiderado, o indicador permaneceu em 31,4%.
Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas alcançou 29,3%. Sem incluir os financiamentos habitacionais, o percentual ficou em 27%.
Os números reforçam a avaliação do Banco Central de que a capacidade financeira das famílias continua pressionada.
Em meio ao avanço do endividamento, o governo federal lançou uma nova etapa do programa Desenrola Brasil, voltada à renegociação de débitos com juros elevados.
A iniciativa permite a substituição de dívidas mais caras, como as contraídas no cartão de crédito e no cheque especial, por contratos com taxas limitadas a 1,99% ao mês.
A expectativa é que a medida contribua para reduzir o peso das parcelas no orçamento das famílias e ajude a conter o crescimento da inadimplência em um cenário ainda marcado pelo alto custo do crédito.
O Banco Central afirmou que continuará monitorando a evolução dos indicadores de endividamento e comprometimento de renda.
Para a autoridade monetária, a combinação entre juros elevados e aumento do uso de linhas de crédito mais caras exige cautela, tanto por parte das instituições financeiras quanto dos consumidores, diante dos riscos associados ao crescimento das dívidas.
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