Política
Publicado em 12/09/2026, às 15h11 Foto: Magnific Andrezza Souza
Mulheres que estão sob medida protetiva de urgência da Lei Maria da Penha podem ter autorização para portar arma de fogo caso o Projeto de Lei (PL) 3.272/2024 avance no Senado. A proposta está em análise na Comissão de Segurança Pública (CSP) e teve a votação adiada após pedido de vista em 1º de setembro.
O projeto é de autoria da então senadora Rosana Martinelli (PL-MT) e tem como relator na CSP o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O texto altera o Estatuto do Desarmamento para incluir mulheres sob medida protetiva entre as pessoas que podem ter porte de arma.
A proposta também estabelece uma exceção à regra geral de idade mínima para aquisição. Mulheres nessa situação poderiam adquirir, possuir e portar uma arma a partir dos 18 anos, desde que cumprissem requisitos previstos no Estatuto do Desarmamento, como capacidade técnica e aptidão psicológica.
A autorização seria vinculada à existência da medida protetiva. O texto prevê que, caso ela seja revogada, a mulher perderia o direito de portar a arma e poderia mantê-la apenas dentro das condições previstas para a posse.
Flávio Bolsonaro defendeu a proposta sob o argumento de que mulheres protegidas por medidas judiciais podem continuar expostas à ação dos agressores.
“A arma de fogo, caso assim deseje a mulher sob medida protetiva de urgência, servirá como instrumento equalizador contra a diferença de força física existente entre ela e o agressor”, afirmou o senador.
Ele também ressaltou que o porte não seria obrigatório, mas uma possibilidade para mulheres que cumprissem os requisitos estabelecidos pelo projeto e pelo Estatuto do Desarmamento.
O relatório apresentado por Bolsonaro prevê a aprovação do projeto nos termos do substitutivo aprovado pela Comissão de Direitos Humanos, com alterações. Na reunião de 1º de setembro, porém, a CSP concedeu pedido de vista e adiou a análise.
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) ajudam a dimensionar o contexto de violência em que parte dessas medidas está inserida.
Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, foram registrados ao menos 13.703 casos no país.
O levantamento do FBSP analisou 5.729 feminicídios registrados entre 2021 e 2024 e mostra que os autores, na maioria dos casos, tinham relação próxima com as vítimas. Companheiros foram responsáveis por 59,4% dos casos, enquanto ex-companheiros responderam por 21,3%. Outros familiares aparecem em 10,2% das ocorrências. Apenas 4,9% dos autores eram desconhecidos das vítimas.
O estudo também aponta que 97,3% dos feminicídios registrados no período foram cometidos exclusivamente por homens. Segundo o Fórum, os dados revelam uma violência marcada por relações de intimidade, controle e desigualdade de gênero.
Outro dado chama atenção quando o assunto são medidas protetivas. Em uma análise de 1.127 feminicídios registrados em 16 estados, 148 mulheres, ou 13,1%, tinham uma medida protetiva de urgência vigente quando foram mortas. Em São Paulo, foram 18 casos entre 83 feminicídios analisados, o equivalente a 21,7%.
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