Farinha Lima

Master de 9 m²

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Banqueiro preso, ativos curiosos e CPI em expansão: o caso Master vira série política onde cada episódio culpa um protagonista diferente  |   BNews SP - Divulgação Foto: Imagem feita por IA
Farinha Lima

por Farinha Lima

Publicado em 11/03/2026, às 07h00



Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, começou sua nova fase longe dos homens de negócios e mais perto da Papuda.

Agora hóspede do Sistema Penitenciário Federal, em Brasília (DF), ele passa o período de adaptação em uma suíte compacta de 9 m², com direito a cama de alvenaria, escrivaninha e um chuveiro que parece mais um cano. Nada muito parecido com o escritório de um CEO.

A rotina inclui seis refeições por dia, com cardápio digno de manual institucional: café da manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia. Fruta, pão, queijo, arroz e feijão compõem o pacote gastronômico da nova realidade.

Depois do período de adaptação, Vorcaro ainda será promovido para uma cela menor. No sistema penal, aparentemente, downsizing também faz parte do plano de carreira.

O banco e o baú de bugigangas valiosas

Enquanto o ex-dono do Banco Master se adapta à nova mini mansão, o Banco de Brasília tenta explicar aos deputados do DF por que comprou um pacote bilionário de ativos da instituição quebrada e por que, curiosamente, os pedaços “bons” agora despertam interesse do mercado.

Segundo o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, outras instituições estariam de olho nas relíquias, mas com a clássica estratégia de quem busca o mais barato: pagar o mínimo possível.

Os ativos considerados saudáveis incluem cemitérios, bares de aeroporto e lojas, um portfólio que parece ter saído de um catálogo surrealista de investimentos alternativos.

A humilde soma pode chegar a R$ 10 bilhões, valor que ajudaria a cobrir o rombo bilionário do próprio BRB. Ainda assim, a direção prefere esperar “melhor valorização”.

Em Brasília, ativos curiosos viram fundo financeiro e rombo vira “menu de possibilidades”. Resta saber se, no fim, o banco vai lucrar com o pacote ou apenas descobrir que comprou um buffet de problemas.

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CPI freestyle

E o escândalo do Banco Master ganhou mais um capítulo na treta política. O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que pretende incluir o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na lista de investigados de uma CPI sobre o caso.

Haddad respondeu com uma provocação elegante: disse que logo ficará claro “debaixo do nariz de quem” as fraudes ocorreram, numa referência indireta à gestão de Roberto Campos Neto durante o governo de Jair Bolsonaro.

No meio disso tudo, bilhões evaporados, um banqueiro preso e Brasília transformando mais um escândalo financeiro em modalidade esportiva: a CPI freestyle. O objetivo principal? Bater o adversário.

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