Farinha Lima

Apagão celestial

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Black-out, anistias, ausências e ambições: quando falta luz, sobra articulação nos bastidores do poder  |   BNews SP - Divulgação Foto: Imagem feita por IA
Farinha Lima

por Farinha Lima

Publicado em 25/02/2026, às 07h00



Em São Paulo, a luz pode até faltar, mas a criatividade segue religiosamente acesa. O CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, direto de Milão, decretou que, nas condições atuais da rede elétrica paulistana, “só Jesus Cristo” evitaria apagões durante tempestades. A meteorologia virou teologia. Se está “dentro” da árvore, só milagre resolve.

O prefeito Ricardo Nunes não deixou por menos e rebateu dizendo que nem o próprio Cristo salvaria a empresa, dada a “irresponsabilidade” e a “capacidade de mentir”.

Temos, portanto, uma discussão de fé. Enquanto isso, o paulistano segue praticando o único milagre comprovado: pagar a conta em dia, mesmo no escuro.

Anistia à la carte

Nos corredores do Congresso, a palavra da vez não é “anistia”, é “negociação”. A cúpula ensaia votar o veto ao Projeto de Lei da Dosimetria, aquele que pode transformar uma pena de 27 anos em algo mais palatável, na casa dos dois, desde que a turma esqueça a ideia de instalar uma CPI sobre o Banco Master.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o da Câmara, Hugo Motta, atuam como mestres de cerimônia. Um veto é derrubado aqui, uma comissão é engavetada ali e a harmonia entre Legislativo e Supremo é preservada. No tabuleiro, o nome de Jair Bolsonaro é a peça central.

Entre a Papudinha e o Tio Sam

Nos Estados Unidos, a ala bolsonarista vive seu próprio drama. Heloísa Bolsonaro saiu em defesa do marido, Eduardo Bolsonaro, após Nikolas Ferreira dizer que ele “não está bem”.

Segundo ela, o problema é excesso de missão. Eduardo estaria sobrecarregado pelo peso de salvar o Brasil, direto do exterior, em trabalho voluntário.

Uma mistura de saudade, fé e projeto eleitoral: a volta triunfal dependeria de Flávio Bolsonaro presidente. Enquanto isso, as divergências públicas entre aliados mostram que, se há algo que não está bem, é a harmonia do grupo.

Na Papudinha, onde está Jair, as visitas seguem rendendo declarações. Já a unidade da direita parece precisar de algo mais que oração. Talvez terapia de grupo.

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Vice-versa paulista

E no Palácio dos Bandeirantes, o governador Tarcísio de Freitas se prepara para uma reunião estratégica com Flávio Bolsonaro. Na pauta, está a arte de acomodar egos na chapa de outubro. A vaga de vice virou objeto de desejo porque, em 2030, pode ser atalho para o trono paulista, caso Tarcísio confirme o roteiro de presidenciável.

O PL sonha com o posto; o PSD não abre mão; e no meio da disputa surgem nomes como Gilberto Kassab e Valdemar Costa Neto, cada qual defendendo seu lado.

Vagas ao Senado e promessas cruzadas seguem rolando. No fim, a reunião do dia 27 pode até resolver algo; por outro lado, na política paulista, sempre sobra farpa para outubro.

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