Farinha Lima

Segue o jogo, Casares

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Entre caixa dois, retiro espiritual e torneira seca, São Paulo assiste a dirigentes que preferem administrar crise com fé, discurso ou campanha.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Imagem feita por IA
Farinha Lima

por Farinha Lima

Publicado em 07/01/2026, às 07h00



A Polícia Civil investiga duas frentes que ajudam a explicar por que a contabilidade do São Paulo anda mais animada fora do campo do que dentro dele.

De um lado, R$ 1,5 milhão em depósitos fracionados na conta do presidente Julio Casares, sempre abaixo do limite automático do Coaf, oficialmente justificados como bônus por conquistas.

De outro, R$ 11 milhões sacados em dinheiro das contas do clube entre 2021 e 2025, sem destino identificado, em operações que evoluíram do caixa comum para o carro-forte. Os relatórios também indicam que a conta do presidente bancava despesas da ex-mulher e ex-diretora Mara Casares, já citada em outros episódios no Morumbis.

A defesa afirma que tudo é lícito e compatível com a trajetória do dirigente, que descarta renúncia e segue no cargo, apostando que, no São Paulo, crise fora de campo também se administra no modo “segue o jogo”.

Retiro compulsório

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Michelle Bolsonaro visitou Jair Bolsonaro na prisão e levou como presente um livro sobre masculinidade cristã, A jornada de meninos a homens, enquanto o ex-presidente cumpre mais de 27 anos de pena por liderar uma trama golpista.

A obra, de tom religioso, propõe reflexões sobre a transição da infância para a vida adulta e a chamada crise da masculinidade, sob valores cristãos.

Não é a primeira leitura do gênero entregue ao marido atrás das grades, o que reforça a estratégia de tratar condenações e crises políticas como questões de fé e comportamento, como se 27 anos de prisão pudessem ser encarados como um retiro espiritual prolongado.

Torneira privatizada

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Em plena São Paulo fervendo sob recordes de calor e com bairros inteiros passando dias a seco, o governo Tarcísio de Freitas decidiu que a solução é pedagógica: pedir para a população economizar água.

Após a privatização da Sabesp, que tem cortado o abastecimento em quase todas as regiões da capital, o governador cobrou “redução imediata do consumo”, sobretudo dos mais pobres, justamente os mais afetados pela falta d’água e pelas temperaturas extremas.

Enquanto isso, a orientação oficial é que “todos façam sua parte”, como se o problema fosse excesso de banho e não torneira vazia.

Campanha em Caracas

Após pedir que paulistanos economizem água em meio a torneiras secas, Tarcísio de Freitas deixou claro que sua atenção vai além das divisas do estado.

O governador comemorou nas redes os ataques dos Estados Unidos na Venezuela, celebrou a captura de Nicolás Maduro e a possível tutela de Donald Trump sobre o país, chamou o líder venezuelano de “ditador cruel e corrupto” e ainda aproveitou para alfinetar Lula e a esquerda.

A reação online foi imediata, com críticas à postura de um Tarcísio já em clima de campanha, mais atento a Caracas e a 2026 do que ao desafio básico de garantir água na torneira da capital.

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