Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 21/05/2026, às 14h55
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) detalharam, em coletiva de imprensa realizada nesta manhã de quinta-feira (21), os bastidores da Operação Vérnix, que resultou na prisão preventiva de Deolane Bezerra.
O foco central da investigação, que durou sete anos, é a sofisticação da lavagem de dinheiro da cúpula do PCC, estratégia descrita pelas autoridades como a "pjtização do crime organizado".
O BNews SP acompanhou a coletiva, que contou com nomes como o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, e os promotores Luiz Fernando Bugiga e Lincoln Gakiya.
O Secretário de Segurança Pública, Dr Nico, também estava presente.
Durante a apresentação, Paulo Sérgio Oliveira e Costa e os delegados Edmar Caparroz e Ramon Pedrão explicaram como a influenciadora teria facilitado a ocultação de recursos da facção.
Paulo Sérgio Oliveira afirmou que: "A ação tem um caráter pedagógico", se referindo ao grande alcance de Deolane nas redes sociais.
Edmar Rogério Dias Caparroz descreveu o papel da influenciadora na estrutura financeira da facção, afirmando que ela funcionava como um "caixa" para o grupo.
Segundo ele, o dinheiro ilícito era misturado a recursos de suas atividades e devolvido "limpo" para circular entre os criminosos. "O esquema era um verdadeiro oceano de lavagem de dinheiro", definiu o delegado.
A investigação revelou que Deolane abriu 30 empresas no mesmo endereço: uma casa popular que não possuía qualquer estrutura comercial.
Ramon Pedrão explicou que o alerta surgiu após a análise de fluxos financeiros sem justificativa: "Com o afastamento [do sigilo], é que a gente começa a ver uma movimentação sem lastro, movimentações com garagens de veículos fantasmas e pessoas assalariadas transferindo valores perto de milhão", detalhou.
A operação visou asfixiar o patrimônio da facção, bloqueando cerca de R$ 300 bilhões. O inquérito comprovou que as orientações para a divisão de lucros e gestão de bens partiam de dentro do Sistema Penitenciário Federal.
As autoridades destacaram que a "pjtização", o uso de empresas falsas para facilitar a lavagem, é o novo desafio da segurança pública, pois dificulta o rastreio bancário imediato.
A Polícia Civil informou que os dados coletados agora serão cruzados com informações de inteligência para apurar também crimes de sonegação fiscal. Deolane Bezerra permanecerá presa enquanto os materiais são analisados.
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