Polícia

A “PJtização” do crime: veja como Deolane abriu 30 empresas para o PCC

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Delegados descrevem Deolane como peça central na cúpula do crime, misturando recursos de suas atividades digitais com dinheiro do PCC  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Redes Sociais
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 21/05/2026, às 14h55



A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) detalharam, em coletiva de imprensa realizada nesta manhã de quinta-feira (21), os bastidores da Operação Vérnix, que resultou na prisão preventiva de Deolane Bezerra.

O foco central da investigação, que durou sete anos, é a sofisticação da lavagem de dinheiro da cúpula do PCC, estratégia descrita pelas autoridades como a "pjtização do crime organizado".

O BNews SP acompanhou a coletiva, que contou com nomes como o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, e os promotores Luiz Fernando Bugiga e Lincoln Gakiya.

O Secretário de Segurança Pública, Dr Nico, também estava presente.

Durante a apresentação, Paulo Sérgio Oliveira e Costa e os delegados Edmar Caparroz e Ramon Pedrão explicaram como a influenciadora teria facilitado a ocultação de recursos da facção.

Paulo Sérgio Oliveira afirmou que: "A ação tem um caráter pedagógico", se referindo ao grande alcance de Deolane nas redes sociais.

Foto: Gabriela Pessanha/BNews SP
Foto: Gabriela Pessanha/BNews SP

Empresas de fachada

Edmar Rogério Dias Caparroz descreveu o papel da influenciadora na estrutura financeira da facção, afirmando que ela funcionava como um "caixa" para o grupo.

Segundo ele, o dinheiro ilícito era misturado a recursos de suas atividades e devolvido "limpo" para circular entre os criminosos. "O esquema era um verdadeiro oceano de lavagem de dinheiro", definiu o delegado.

A investigação revelou que Deolane abriu 30 empresas no mesmo endereço: uma casa popular que não possuía qualquer estrutura comercial. 

Ramon Pedrão explicou que o alerta surgiu após a análise de fluxos financeiros sem justificativa: "Com o afastamento [do sigilo], é que a gente começa a ver uma movimentação sem lastro, movimentações com garagens de veículos fantasmas e pessoas assalariadas transferindo valores perto de milhão", detalhou.

O elo com a cúpula do PCC

A operação visou asfixiar o patrimônio da facção, bloqueando cerca de R$ 300 bilhões. O inquérito comprovou que as orientações para a divisão de lucros e gestão de bens partiam de dentro do Sistema Penitenciário Federal.

As autoridades destacaram que a "pjtização", o uso de empresas falsas para facilitar a lavagem, é o novo desafio da segurança pública, pois dificulta o rastreio bancário imediato.

A Polícia Civil informou que os dados coletados agora serão cruzados com informações de inteligência para apurar também crimes de sonegação fiscal.  Deolane Bezerra permanecerá presa enquanto os materiais são analisados.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp