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Em desdobramento à Carbono Oculto, operação bloqueia mais de 1.200 CNPJs em SP

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Batizada de Bomba Oculta, a operação ocorre após um ano das investigações do esquema de fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo postos de gasolina  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Receita Federal
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 28/08/2026, às 11h48



Na manhã desta sexta-feira (28), autoridades estaduais e federais deflagraram a Operação Bomba Oculta, responsável por lacrar seis postos de gasolina clandestinos na Grande São Paulo.

Segundo os órgãos, cerca de 1.283 CNPJs, 228 inscrições estaduais e diversas contas bancárias foram bloqueados durante a ação.

O esquema desmantelado nesta sexta-feira se trata do prosseguimento da Operação Carbono Oculto, que completa 1 ano neste dia 28 de agosto.

Na ocasião, uma rede com mais de mil postos de gasolina foi investigada por suposto envolvimento com o PCC. Membros da facção criminosa utilizavam os locais para lavar dinheiro e adulterar combustíveis.

Operação reúne órgãos estaduais e federais

Cerca de 57 servidores participam da operação, entre integrantes da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP), Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

A Polícia Civil de São Paulo e o Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania (DPPC) também prestam apoio às equipes.

A atuação conjunta busca identificar empresas que continuam funcionando mesmo sem autorização para operar e impedir que elas utilizem registros empresariais ativos para manter atividades consideradas irregulares.

Empresas continuavam funcionando sem autorização

Segundo as autoridades, desde 2019 a ANP revogou a autorização de funcionamento de pelo menos 10 mil postos de combustíveis.

Parte dessas empresas, porém, teria continuado a atuar clandestinamente utilizando o CNPJ ativo mesmo depois de perder a autorização legal para comprar e comercializar combustíveis.

Segundo a CNN Brasil, a estratégia permitia que estabelecimentos sem autorização continuassem inseridos no mercado formal e realizassem operações comerciais.

As investigações apontam ainda que a atuação do crime organizado no setor de combustíveis ocorre em diferentes etapas da cadeia, desde a importação e produção até a distribuição e a revenda.

De acordo com a Receita Federal, o setor também passou a ser utilizado como instrumento para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.

CNPJs poderão ser declarados inaptos

A ofensiva ocorre após a publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.340, em 24 de agosto de 2026. A norma ampliou as hipóteses para declaração de inaptidão de CNPJs de empresas envolvidas em atividades irregulares ou que funcionem sem as autorizações exigidas.

As informações utilizadas para a medida podem ser fornecidas por órgãos reguladores, como a ANP.

Com o CNPJ declarado inapto, a empresa fica impedida de emitir documentos fiscais eletrônicos e sofre restrições cadastrais. Na prática, a medida dificulta a manutenção das atividades comerciais e permite uma atuação mais rápida dos órgãos de fiscalização.

Operação é desdobramento da Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto de 2025, quando cerca de 1,4 mil agentes participaram de uma força-tarefa contra um esquema bilionário no setor de combustíveis.

Na ocasião, foram cumpridos mandados contra mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Segundo as investigações, aproximadamente 1 mil postos de combustíveis ligados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Uma fintech apontada como espécie de banco paralelo da organização teria movimentado outros R$ 46 bilhões considerados não rastreáveis no período.

A investigação também estima em R$ 7,6 bilhões o valor sonegado em tributos por meio do esquema.

Crime organizado teria se infiltrado na cadeia de combustíveis

De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o esquema investigado envolve uma rede de organizações criminosas associadas de forma permanente ou eventual para viabilizar atividades econômicas ilícitas.

A estrutura teria utilizado empresas do setor de combustíveis e do sistema financeiro para inserir recursos de origem criminosa na economia formal.

Os investigados na Carbono Oculto são suspeitos de crimes como lavagem de dinheiro, fraude fiscal, estelionato, adulteração de combustíveis, crimes ambientais e crimes contra a ordem econômica.

A nova operação busca atingir empresas que, mesmo após perderem autorização para funcionar, continuaram utilizando estruturas formais para atuar clandestinamente no mercado.

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