Polícia

Esquema envolvendo armas na Cracolândia termina com condenação de GCMs em SP

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Grupo foi condenado por desviar armamentos da Campanha do Desarmamento e abastecer o mercado clandestino  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Divulgação
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 02/07/2026, às 07h30



A Justiça de São Paulo condenou quatro homens acusados de integrar uma organização criminosa responsável pelo comércio ilegal de armas de fogo e munições na região central da capital, incluindo a área da Cracolândia. 

Entre os condenados estão um guarda civil metropolitano (GCM) e um ex-integrante da corporação. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (1º) pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.

De acordo com a sentença, o grupo mantinha uma estrutura voltada à negociação clandestina de armas e munições, com atuação permanente e divisão de funções. As investigações apontaram que os envolvidos intermediavam compradores e utilizavam um esquema para desviar armamentos que deveriam ser destinados à Campanha do Desarmamento.

O juiz Antonio Carlos Costa Pessoa Martins considerou que Rubens Alexandre Bezerra, ex-GCM, era o principal articulador da organização. Ele recebeu a maior pena do grupo: 16 anos, 5 meses e 5 dias de prisão, em regime inicial fechado.

Também foram condenados Edno Sousa da Silva, Odair José Gonçalves Rodrigues e o guarda civil metropolitano Elias Silvestre da Silva. As penas variam entre 11 e 15 anos de reclusão, todas em regime fechado.

Além das condenações, o magistrado determinou a perda dos cargos públicos dos integrantes da Guarda Civil Metropolitana envolvidos no caso. 

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informou, segundo o portal g1, que Rubens Alexandre Bezerra foi demitido da corporação em julho de 2019. Já em relação a Elias Silvestre da Silva, o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) está em fase de conclusão, com proposta de demissão em tramitação.

Como funcionava o esquema

Foto: Pexels/Ricardo Martínez González
Foto: Pexels/Ricardo Martínez González

As investigações apontaram que a organização aproveitava a estrutura da Campanha do Desarmamento para obter armas que seriam entregues voluntariamente ao poder público.

Segundo a decisão judicial, integrantes do grupo abordavam pessoas que procuravam os postos de recebimento para entregar armamentos e ofereciam valores superiores aos pagos pelo programa oficial. 

Em uma das conversas analisadas durante a investigação, um dos envolvidos afirmava que, enquanto o governo pagava cerca de R$ 300 pela entrega voluntária após alguns meses, o grupo poderia oferecer R$ 2 mil de forma imediata.

Com isso, armas que deveriam ser retiradas de circulação acabavam direcionadas ao mercado clandestino.

Investigação começou em 2024

A ação penal teve origem na Operação Salus et Dignitas, deflagrada em agosto de 2024 para combater uma organização criminosa que atuava na região da Cracolândia. 

Durante as investigações, foram analisados celulares apreendidos, que revelaram negociações de munições de diferentes calibres, tabelas de preços, intermediação de compradores e registros de transferências bancárias relacionadas às transações ilegais.

Um quinto investigado, o guarda civil metropolitano Ednaldo de Almeida Passos, foi absolvido por falta de provas. Conforme a sentença, as conversas encontradas durante a investigação não comprovaram sua participação efetiva no comércio ilegal de armas ou munições.

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirmou que não compactua com desvios de conduta de seus agentes e informou que adota as medidas administrativas cabíveis sempre que irregularidades são constatadas.

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