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Morte de PM: Reconstituição investiga hipótese de feminicídio

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Caso da morte de PM no Brás ganha nova etapa após família denunciar abusos de marido; reconstituição deve esclarecer trajetória do tiro  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/ Instagram
Nathalia Quiereguini

por Nathalia Quiereguini

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Publicado em 02/03/2026, às 15h09



A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, segue cercada de dúvidas e agora será reavaliada em uma nova etapa da investigação.

A Polícia Civil de São Paulo realiza nesta segunda-feira (2) a reconstituição do caso que terminou com a morte da soldado dentro do apartamento onde ela vivia com o marido e a filha, no bairro do Brás, região central de São Paulo.

O procedimento busca esclarecer as circunstâncias do disparo que atingiu a cabeça da policial no dia 18 de fevereiro.

Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser considerado uma morte suspeita após novos relatos apresentados pela família da vítima.

A reconstituição contará com o acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo e deve ajudar a reconstruir os momentos que antecederam o tiro.

De acordo com o G1, os investigadores querem entender a posição das pessoas envolvidas, a dinâmica da cena e a trajetória do disparo.

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Gisele Alves Santana e o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto em registro do casal; morte da policial é investigada pela Polícia Civil de São Paulo / Foto: Reprodução/ Instagram

Relatos de relacionamento abusivo

Segundo familiares, Gisele vivia um relacionamento marcado por controle e violência psicológica com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O casal morava junto desde o casamento, realizado em 2024.

De acordo com relatos apresentados à polícia, a policial teria passado a se afastar gradualmente de amigos e parentes depois do início do relacionamento.

A família afirma que ela vivia sob forte pressão emocional e enfrentava restrições impostas pelo companheiro, inclusive em relação à forma de se vestir.

Parentes também disseram que a policial planejava pedir o divórcio. Dias antes de morrer, ela teria procurado o pai para pedir ajuda para deixar o apartamento onde vivia com o marido.

Para os familiares, a hipótese de suicídio não faz sentido. A mãe da vítima afirma que a filha tinha planos para o futuro e que estava focada em cuidar da filha de 7 anos.

Diante desses relatos, a família pede que o caso seja tratado como possível feminicídio.

Versão apresentada pelo marido

Em depoimento à polícia, o tenente-coronel afirmou que o relacionamento estava passando por uma fase conturbada e que, naquela manhã, havia ido conversar com a esposa sobre uma possível separação.

Segundo ele, após uma discussão, entrou no banheiro do apartamento. Pouco tempo depois, ouviu um barulho que inicialmente interpretou como o de uma porta batendo. Ao sair, encontrou a esposa caída no quarto com um ferimento na cabeça.

Gisele foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu.

O oficial também afirmou que a arma utilizada no disparo era dele e ficava guardada no quarto.

Investigação segue em andamento

O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial do Brás, com apoio da corregedoria da PM. Até o momento, o tenente-coronel não foi formalmente apontado como suspeito.

A expectativa das autoridades é que a reconstituição e os laudos periciais ajudem a esclarecer se a morte da policial foi resultado de suicídio ou se há elementos que indiquem outro tipo de crime.

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