Polícia

MP oferece denúncia contra vereador do PT e mais 20 por lavagem de dinheiro do PCC

Reprodução/Câmara Municipal de São Paulo
Segundo o MPSP, o vereador Senival Moura está envolvido em um esquema criminoso ligado ao setor de transporte  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/Câmara Municipal de São Paulo
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 02/10/2026, às 17h28



O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ofereceu denúncia contra o vereador Senival Pereira de Moura (PT) e mais 20 suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) através de empresas de ônibus. As informações são do portal Metrópoles.

A denúncia acontece após a Operação Última Parada que apontou o vereador como peça central da empresa Transunião. Moura foi preso no dia 25 de junho, mas acabou solto por determinação da Justiça após julgamento de habeas corpus. Ao analisar a medida, a relatora Carla Rahal Benedetti constatou excesso de prazo, ressaltando que o limite temporal aplicável ao caso era de 5 dias, o que tornou a manutenção da custódia ilegal.

Além de Senival, estão entre os denunciados:

  • Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”): apontado como autor do homicídio de Adauto Soares Jorge e articulador da lavagem de dinheiro.
  • Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário.
  • Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis.
  • Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”): apontado como operador e suporte de Senival Moura.

Investigação

De acordo com a investigação, Moura exercia influência direta sobre uma estrutura financeira paralela mantida dentro da Transunião Transportes, embora não integrasse oficialmente o quadro societário ou administrativo da empresa. Os investigadores apontam que nenhuma movimentação ou repasse de recursos era realizado sem sua autorização.

Ainda conforme as investigações, o vereador movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não têm origem declarada. Além disso, ele possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com sua remuneração oficial.

Confira a lista:

  • Apartamento Tatuapé, São Paulo: ao menos R$ 1,6 milhão;
  • Apartamento Vila Madalena, São Paulo: R$ 585 mil;
  • Apartamento Vila Maria, São Paulo: R$ 430 mil;
  • Imóvel Vila Minerva, São Paulo: sem estimativa de preço;
  • Imóvel Juquehy, São Sebastião (SP): R$ 800 mil;
  • Imóvel rural, Extrema (MG): ao menos R$ 200 mil (valor do terreno).

Defesa se pronunciou

Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa do vereador disse que ele é inocente e reafirmou que ele não faz parte de organização criminosa. 

“Senival Moura reafirma que jamais integrou organização criminosa, jamais manteve vínculo com o PCC e jamais participou de qualquer esquema destinado à lavagem de dinheiro ou à ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas”, diz a nota divulgada pelo advogado Márcio Sayeg.

A nota acrescenta ainda que o vereador segue colaborando com as investigações e acredita que “a análise técnica e imparcial das provas permitirá o completo esclarecimento dos fatos”.

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