Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 24/09/2026, às 14h15
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Receita Federal deflagraram uma nova fase da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.
Segundo as autoridades, a organização criminosa utilizava fintechs e estruturas empresariais para movimentar dinheiro, lavar recursos e ocultar o patrimônio da facção.
Nesta etapa, são cumpridos mandados de busca e apreensão em 29 endereços ligados a 13 pessoas físicas e 24 empresas. As ações ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ligado ao Banco Genial, e o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro" e proprietário da Entre Investimentos.
A defesa de Freixo Júnior informou que não irá se manifestar. Já a assessoria do Banco Genial afirmou que Tupinambá não faz mais parte da instituição e que foi destituído ainda neste ano.
Segundo o MP-SP, os integrantes do PCC Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamed Hussein Murad, chamado de "Primo", são apontados como líderes do esquema investigado no setor de combustíveis.
De acordo com a CNN Brasil, os dois teriam estruturado um projeto para adquirir a Terrana, descrita pelo Ministério Público como uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Para viabilizar a operação e esconder a identidade dos envolvidos, o grupo teria utilizado uma estrutura que já incluía o controle de usinas do setor sucroalcooleiro.
A cadeia empresarial e financeira teria sido usada tanto para financiar a aquisição quanto para ocultar parte do patrimônio da organização criminosa.
Durante as apurações, foram identificados aproximadamente R$ 370 milhões em créditos vinculados a uma usina sucroalcooleira que teria sido utilizada no processo de aquisição da distribuidora.
Segundo o Ministério Público, a usina também recebeu um aporte de R$ 100 milhões enviado pela organização criminosa. O valor teve instituições bancárias como fiadoras e foi direcionado a um fundo de investimento utilizado pelo grupo em conjunto com fintechs.
As investigações também identificaram o uso de fintechs e outras empresas para movimentar recursos e dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários dos ativos.
Segundo o MP-SP, a estrutura financeira e societária de um grupo empresarial teria sido utilizada não apenas para movimentar recursos de empresas ligadas à organização criminosa, mas também para criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira.
A investigação aponta ainda que a estrutura teria sido utilizada em outras operações consideradas fraudulentas pelas autoridades.
Com o uso das fintechs, empresas e fundos de investimento, os investigadores identificaram uma cadeia de movimentações que, segundo o Ministério Público, dificultava o rastreamento da origem dos recursos e a identificação dos beneficiários finais dos ativos.
Os mandados desta nova fase da Carbono Oculto são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
A operação busca reunir documentos e outros elementos que possam esclarecer a participação dos investigados na estrutura financeira atribuída ao PCC, além de identificar eventuais novos envolvidos.
A investigação continua para detalhar como os recursos foram movimentados, quais empresas participaram das operações e qual era o papel de cada um dos alvos na estrutura utilizada pela organização criminosa.
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