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PF investiga advogados de SP por golpe de R$ 250 milhões com cassiterita

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PF apura suspeita de venda irregular de minério extraído da Terra Yanomami; carregamento de cassiterita teria sido substituído por areia  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Polícia Federal
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 14/09/2026, às 16h50



A Polícia Federal investiga um esquema envolvendo a extração irregular de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, e uma suposta fraude financeira de R$ 250 milhões.

Segundo as investigações, dois advogados e um empresário brasileiros seriam responsáveis por negociar um carregamento do minério com a multinacional britânica Gerald Group, mas teriam enviado areia no lugar da carga.

A operação teria sido estruturada para disfarçar a negociação como uma compra de areia e permitir que o pagamento fosse realizado antecipadamente. Os investigados, no entanto, teriam aplicado um golpe após receber os recursos.

A cassiterita é conhecida como “ouro negro” e é a principal fonte de estanho, mineral utilizado na fabricação de componentes eletrônicos, como chips e placas de vídeo.

Advogados e empresário são investigados

De acordo com a apuração, os envolvidos seriam os advogados Santiago Shunck e Guilherme Romão, do escritório Nelson Willians Advogados, e o empresário Diego Possebon.

O trio teria utilizado uma operação aparentemente regular de compra e venda de areia para viabilizar o recebimento antecipado dos R$ 250 milhões. Segundo a investigação, intermediadores participaram da negociação, mas não teriam conhecimento de que a operação estaria relacionada a uma fraude.

De acordo com o SBT News, a suspeita é de que o negócio estivesse ligado à comercialização irregular de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami.

Empresa ligada à negociação faliu após transação

Uma empresa ligada ao Gerald Group, a MLS Berkowitz, acabou falindo depois de se envolver na transação investigada.

Desde então, a companhia sediada na Inglaterra passou a mover ações na Justiça para tentar cobrar os responsáveis pela negociação da cassiterita que teria sido apresentada como uma carga de areia.

A multinacional Gerald Group, por sua vez, negou qualquer participação em irregularidades.

Em nota, a empresa afirmou rejeitar “categoricamente qualquer sugestão de que possa ter participado de qualquer forma de declaração falsa ou adulteração de material ou documentação com o objetivo de facilitar a exportação de cassiterita ou de qualquer outro mineral do Brasil”.

Advogados negam irregularidades

Santiago Shunck e Guilherme Romão também negaram envolvimento em qualquer irregularidade. Os dois afirmaram, por meio de nota, “que sua atuação foi absolutamente regular” e disseram “desconhecer qualquer questionamento relacionado ao caso”.

A OAB de São Paulo, o empresário Diego Possebon e a MLS Berkowitz também foram procurados, mas ainda não se manifestaram sobre o caso.

Nelson Willians foi alvo de outras operações

Embora não seja apontado como diretamente envolvido na investigação sobre a cassiterita, o advogado Nelson Willians foi alvo de outras operações recentes da Polícia Federal.

Uma delas é a Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Willians também foi alvo da Operação Distrato, que apura um esquema relacionado à comercialização de créditos irregulares de ICMS para empresas paulistas, e da Operação Arena, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo a casa de apostas Pixbet.

O advogado afirma não ter cometido irregularidades nos casos.

A investigação sobre a negociação de cassiterita segue em andamento, enquanto as autoridades apuram a origem do minério, a participação de cada envolvido e a movimentação dos recursos relacionados à operação.

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