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Polícia faz operação contra núcleo financeiro do Comando Vermelho

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Esposa de chefão do Comando Vermelho foi presa pela Polícia Civil  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/ TV Globo
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 29/05/2026, às 08h33



A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagou, nesta sexta-feira (29), uma nova fase da Operação Contenção com o objetivo de asfixiar o braço financeiro do Comando Vermelho.

A investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) revelou uma sofisticada estrutura criminosa voltada à ocultação, dissimulação e lavagem de recursos ilícitos provenientes do tráfico de drogas, principalmente no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. De acordo com a Civil, o esquema movimentou mais de R$ 453 milhões. Até o momento, 14 criminosos foram presos.

As ações ocorrem simultaneamente em diversos municípios do estado do Rio de Janeiro, como a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, Iguaba Grande, Armação dos Búzios e São João de Meriti. Também são cumpridos mandados em outros estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

A operação é resultado de aproximadamente um ano e quatro meses de investigação da DRE-CAP, que identificou uma estrutura criminosa com atuação interestadual voltada à lavagem de dinheiro para a facção. Os mandados de prisão, busca e apreensão e as medidas patrimoniais foram deferidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado, após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Durante as investigações, os agentes captaram diálogos envolvendo Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho, e o principal operador financeiro da facção. Segundo a apuração, ele era responsável pela lavagem de dinheiro, gerenciamento de empresas de fachada, movimentações bancárias e utilização de terceiros para ocultar patrimônio e valores ilícitos. As esposa do criminoso, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa. O traficante está foragido.

As diligências apontaram que o investigado atuava como verdadeiro gestor financeiro da organização criminosa. O esquema utilizava empresas de reciclagem e ferros-velhos, contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e intensa movimentação financeira entre empresas ligadas ao grupo para conferir aparência de legalidade aos recursos oriundos do tráfico.

Os valores movimentados pelo esquema foram identificados a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF/COAF), análises bancárias, afastamentos de sigilos fiscal, telefônico e telemático, além de cruzamentos de dados financeiros e patrimoniais realizados ao longo da investigação.

Além de equipes da DRE-CAP, a operação conta com efetivo integrado da Polícia Civil e da Polícia Militar, mobilizando agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI), do Departamento-Geral de Polícia Técnico-Científica (DGPTC), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e de outras unidades operacionais da Polícia Militar.

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