Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 16/06/2026, às 14h02
As gravações das câmeras corporais (bodycams) da Polícia Militar de Sãp Paulo contradizem o depoimento prestado pelo cabo Cauan Alencar Bastos e pelo soldado José Otávio Ribeiro à Polícia Civil sobre a morte do eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos.
O caso aconteceu em 29 de abril, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na Zona Norte de São Paulo.
Os registros em vídeo revelam que a vítima não apresentou ameaça imediata no momento da abordagem, diferentemente do que foi relatado pelos agentes na ocasião do registro da ocorrência.
De acordo com os arquivos de áudio e vídeo das bodycams, o cabo Cauan verbalizou a intenção de efetuar os disparos antes mesmo de descer do veículo oficial. "Peraí que eu vou matar ele, eu vou dar tiro", afirmou o militar.
Segundo o portal Metrópoles, o cabo efetuou seis disparos, enquanto o soldado realizou um tiro de dentro da viatura.
Em depoimento inicial à Polícia Civil, os policiais haviam apresentado versões diferentes às das câmeras.
Segundo os PMs, o homem havia "insurgido" contra a equipe e que os disparos foram efetuados para conter uma "suposta injusta agressão".
Na ocasião, a equipe havia sido acionada por um motoboy em um posto de combustíveis, que relatou ter tido uma discussão de trânsito com Igor e que este portava uma faca.
Igor, que foi atingido por pelo menos dois projéteis na região entre as costelas e o quadril, recebeu os primeiros socorros no asfalto e foi levado ao Hospital de Taipas, onde foi constatado o óbito.
Segundo os familiares da vítima, Igor era PcD. Ele havia sido diagnosticado com uma neurodivergência aos 8 anos de idade e apresentava traços de autismo, TDAH e epilepsia.
Ele passava por tratamento médico regular e atuava de forma funcional há anos como eletricista realizando pequenos reparos.
Parentes relataram que ele enfrentava problemas pessoais nas semanas anteriores, o que pode ter colaborado para uma desestabilização emocional após o incidente de trânsito.
A Corregedoria da Polícia Militar instaurou um inquérito para apurar a conduta dos policiais e as imagens das câmeras.
A PM e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informaram que os agentes foram encaminhados para avaliação psicológica, conforme estipulado pelos protocolos vigentes.
Até o momento, as instituições não se pronunciaram sobre afastamentos ou medidas administrativas relacionadas ao falso testemunho dos envolvidos.
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