Política
por Marcela Guimarães
Publicado em 25/02/2026, às 12h06
A Enel, responsável pela distribuição de energia na capital e na Região Metropolitana de São Paulo, respondeu publicamente às críticas feitas pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em nota divulgada na última terça-feira (24), a empresa afirmou que o debate em torno da prestação de serviços tem sido “politizado e frequentemente instrumentalizado”, o que, segundo a empresa, dificulta a construção de soluções estruturais para o estado.
A tensão aumentou após uma fala do CEO da Enel, Flavio Cattaneo, durante evento em Milão, na Itália.
Ao falar sobre os apagões registrados após temporais recentes, ele declarou que “só Jesus” poderia evitar as interrupções durante eventos climáticos extremos.
A frase trouxe pronunciamentos de autoridades paulistas. Ricardo Nunes classificou a declaração como deboche e afirmou: “Nem Jesus Cristo salva essa Enel”.
O prefeito argumentou que o problema não é a queda de árvores durante chuvas fortes, mas as falhas operacionais e de gestão.
Segundo ele, mais de 80% dos pontos afetados nas interrupções recentes não tiveram registros de árvores caídas, o que, em seu ponto de vista, enfraquece a justificativa apresentada pela Enel.
Em agenda na cidade de Itaquaquecetuba (SP), o governador Tarcísio de Freitas também criticou a fala do CEO da Enel e classificou a expressão como “blasfêmia”. Para ele, o uso do nome de Deus no contexto em questão foi inadequado.
Em resposta, a Enel afirmou que a menção feita pelo CEO buscava ilustrar a limitação humana diante da força dos ventos, e não desrespeitar qualquer crença.
A empresa apresentou propostas estruturais, como o avanço no enterramento de redes elétricas e o manejo da vegetação urbana (este último, segundo a Enel, de responsabilidade da prefeitura).
O governador também declarou que não existe estado onde a empresa atue com bom desempenho.
A Enel contestou a afirmação, garantindo que opera em diversos países e que algumas de suas concessões aparecem entre as melhores do setor em indicadores globais de qualidade.
Tarcísio ainda questionou a capacidade da empresa de realizar os investimentos necessários para atender a população.
A Enel rebateu, afirmando que passa pelo maior ciclo de investimentos da história da concessão em São Paulo.
Na última segunda-feira (23), a empresa anunciou um plano de investimentos de 53 bilhões de euros para o período entre 2026 e 2028.
Desse valor, pouco mais de 14 bilhões de euros serão destinados à América Latina, por mais que não tenha sido detalhado quanto virá para o Brasil.
A Enel também informou que pretende investir mais de 20 bilhões de euros em energias renováveis, valor 40% maior do que o aplicado na área no último ano.
No mesmo dia em que a troca de críticas ocorreu, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu adiar por 60 dias a análise sobre a possível caducidade da concessão da Enel em São Paulo.
A maioria dos diretores escolheu o adiamento, contrariando o posicionamento do diretor-geral, Sandoval Feitosa.
Após o prazo adicional, o mérito da questão (se o contrato será ou não encerrado) será encaminhado a Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, para decisão final.
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