Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 20/08/2026, às 13h27
A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a filiação irregular do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao partido Missão.
A apuração foi determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a Corte identificar indícios de uso indevido de credenciais de acesso ao sistema oficial de filiação partidária.
A PF já solicitou dados do sistema de filiação do TSE e também notificou o Missão para prestar esclarecimentos.
A investigação busca identificar quem realizou o cadastro e como as credenciais da legenda foram utilizadas.
Na quarta-feira (12), Flávio Bolsonaro apareceu como filiado ao Missão, partido que tem Renan Santos como candidato à Presidência da República.
A alteração criou um problema para o registro da candidatura de Flávio pelo PL.
Segundo o TSE, porém, o episódio não foi provocado por um ataque hacker ao sistema. A Corte informou que a filiação foi realizada por alguém que tinha acesso às credenciais do partido e utilizou a ferramenta de forma indevida.
Após identificar a irregularidade, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL e a exclusão do vínculo com o Missão.
A decisão também permitiu novamente o acesso ao sistema Candex para o registro da candidatura.
O partido Missão nega ter realizado a filiação irregular. Segundo a legenda, houve uma tentativa de cadastro utilizando o e-mail de Flávio Bolsonaro, mas o processo não teria sido concluído porque a confirmação solicitada por código não foi realizada.
Segundo o SBT News, o partido afirmou ainda que está aprimorando seus mecanismos de segurança e que passará a exigir novas confirmações antes da conclusão de procedimentos de filiação.
Em relatório elaborado pela legenda, o cadastro irregular teria utilizado o e-mail oficial de Flávio, além de informações falsas, como um endereço com referência a “Rua dos Bandidos, bairro dos Milicianos” e um CPF fictício com a sequência “1234”.
Flávio Bolsonaro afirmou, em transmissão nas redes sociais, que os e-mails enviados pelo Missão sobre a tentativa de filiação foram direcionados para a caixa de spam de sua conta e, por isso, não foram identificados inicialmente.
A campanha do senador também afirmou que houve uma tentativa de filiação de Flávio ao PT e que o episódio foi encaminhado ao TSE.
O candidato do Missão, Renan Santos, por sua vez, chegou a acusar a campanha de Flávio de ter provocado a situação para gerar desconfiança em relação ao sistema eleitoral e disseminar desinformação.
A Polícia Federal agora investiga as circunstâncias do episódio, a origem do acesso utilizado para realizar a filiação e a eventual responsabilidade de envolvidos.
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