Política
por Marcela Guimarães
Publicado em 01/03/2026, às 09h57
O ato bolsonarista marcado para este domingo (1º), na Avenida Paulista, ocorre em meio a ruídos dentro da própria direita.
A mobilização, anunciada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) sob o nome “Acorda, Brasil”, chega com uma pauta complicada após embates públicos entre figuras do grupo.
Inicialmente, o mote divulgado incluía “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. Parte do bolsonarismo reagiu na internet, dizendo que a defesa do impeachment do ministro Dias Toffoli não seria estratégica neste momento.
Assim, a prioridade deveria ser a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Questionado sobre o foco do protesto, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que se movimenta como pré-candidato à Presidência, afirmou que a pauta anunciada por Nikolas está pública e inclui críticas ao presidente Lula (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele declarou que é favorável ao afastamento de qualquer autoridade que tenha cometido crime, mas que os processos não avançam.
Nos bastidores, segundo a Folha de S.Paulo, aliados o aconselharam a não explorar o impeachment de Toffoli, numa tentativa de evitar “desgaste político”.
A manifestação está prevista para começar às 14h (horário local), com trio elétrico posicionado na esquina da Avenida Paulista com a Rua Peixoto Gomide.
Segundo o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), um dos organizadores, o custo estimado é de cerca de R$ 130 mil, valor arrecadado por meio de financiamento coletivo.
Organizadores afirmam que os participantes terão liberdade para defender diferentes posições, desde que respeitem as instituições.
O pastor Silas Malafaia, que divulgou um vídeo apontando a pauta inicial, declarou que cada liderança poderá expor o que quiser.
Com a presença de Flávio Bolsonaro confirmada, participantes relataram ter consultado advogados eleitorais para evitar uma possível caracterização de propaganda antecipada.
Também são esperados os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos citados como possíveis presidenciáveis.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não participará do ato por estar em viagem oficial à Alemanha.
As tensões internas ficaram mais rígidas após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro criticar publicamente o suposto apoio insuficiente de Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro à pré-campanha de Flávio.
A troca de indiretas e ataques nas redes sociais entre aliados mostrou um desconforto que já vinha sendo comentado na direita.
Também há reclamações recorrentes sobre uma suposta tentativa de Nikolas de construir trajetória própria, com menos vinculação direta a Jair.
Lideranças do centrão avaliam que os embates públicos dificultam a formação de alianças em torno de Flávio e podem prejudicar a imagem de moderação que ele busca.
O clima nos bastidores, enfim, é de cautela. Um deputado afirmou que não sabia se subiria no trio elétrico por conta do ambiente tenso. Outro político de direita relatou que aguardava maior clareza sobre a pauta antes de confirmar presença.
De acordo com texto divulgado por Tomé Abduch, o protesto terá seis eixos formais: “liberdade aos presos políticos”, “harmonia entre os poderes”, “combate à corrupção”, “contra o aumento de impostos”, “contra os prejuízos das estatais” e “contra o aumento da criminalidade”.
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