Política
por Marina do Val
Publicado em 31/10/2026, às 14h20
A Câmara Municipal de São Paulo passa a analisar uma proposta que visa declarar o senador Flávio Bolsonaro (PL) persona non grata na capital paulista.
No ambiente político e legislativo brasileiro, o conceito de persona non grata costuma ser adaptado por câmaras municipais e assembleias legislativas como um ato simbólico de repúdio e rejeição política à conduta ou às declarações de determinada figura pública em relação àquela localidade.
Segundo a apuração da coluna de Vinícius Passarelli, do portal Metrópoles, o requerimento foi protocolado pelo vereador Dheison Silva (PT) e critica fortemente as recentes condutas, declarações públicas e a movimentação internacional do parlamentar.
Entre os principais argumentos apresentados na moção, o vereador petista destaca a viagem realizada por Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
O desembarque em Miami ocorreu após o parlamentar passar pela Argentina e pelo Equador, em um contexto no qual o seu passaporte foi retido pela Polícia Federal (PF).
O documento protocolado no Legislativo lembra que a PF apura as circunstâncias exatas dessa saída do país. Além disso, o texto menciona que o senador é alvo de investigações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, bem como de um inquérito relacionado ao financiamento do filme "Dark Horse".
Para o vereador do PT, a partida do senador para o exterior contraria frontalmente a postura por ele anunciada anteriormente, quando afirmou que permaneceria no Brasil com o objetivo de liderar e organizar a oposição política.
De acordo com a justificativa apresentada por Dheison Silva, a atitude de Flávio Bolsonaro representa um “abandono do compromisso de presença, representação e prestação de contas” perante os eleitores brasileiros, incluindo a parcela do eleitorado residente na capital paulista.
A moção também contesta uma carta divulgada pelo senador na qual ele aponta supostas fraudes no processo eleitoral sem apresentar provas conclusivas.
O parlamentar do PT argumenta que tais acusações têm como objetivo deslegitimar a escolha democrática das urnas e alimentar a desconfiança da população nas instituições do país.
O texto da petição conclui enfatizando que a tese de perseguição política não exime o parlamentar de prestar esclarecimentos à sociedade e reforça que nenhuma liderança política deve ser colocada acima da legislação vigente.
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