Polícia
Publicado em 26/08/2026, às 12h55 Foto: Reprodução/MPSP Amanda Ambrozio
O núcleo de Guarulhos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), denunciou 16 pessoas por suspeita de participação em uma organização criminosa que teria desviado metanol para adulterar combustíveis na Grande São Paulo.
Segundo o órgão, o esquema teria funcionado entre 2017 e 2025 e movimentado mais de 10 milhões de litros do produto.
Entre os denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais financiadores do grupo.
De acordo com a denúncia, empresas como Aster, Copape e Duvale teriam sido utilizadas para movimentar recursos relacionados às atividades investigadas.
Os 16 denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação também aponta possíveis crimes de adulteração de combustíveis, tributários, contra o consumidor, estelionato, falsidade documental e crimes ambientais.
Segundo o Gaeco, o grupo utilizava uma estrutura formada por empresas químicas, transportadoras, distribuidoras, instituições de pagamento e fundos de investimento.
O metanol era inicialmente comprado de forma legal por empresas autorizadas. Nas notas fiscais, porém, o produto teria como destino a fabricação de biodiesel ou de produtos químicos.
De acordo com o Ministério Público, as cargas eram desviadas do destino declarado e encaminhadas a postos e empresas ligadas ao setor de combustíveis. O metanol seria então misturado irregularmente à gasolina ou ao etanol.
Para dificultar o rastreamento das operações, os envolvidos teriam utilizado notas fiscais e outros documentos falsos. Os recursos obtidos com a atividade também passariam por empresas, instituições de pagamento e fundos de investimento para ocultar sua origem.
Parte da movimentação financeira, segundo a denúncia, teria ocorrido por meio da BK Instituição de Pagamento e de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
Segundo o g1, a denúncia reúne informações obtidas em diferentes investigações, entre elas as operações Boyle e Carbono Oculto.
Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, aparece entre os principais nomes da denúncia. Segundo o Gaeco, ele teria utilizado empresas do setor para movimentar recursos milionários relacionados ao esquema.
O empresário também foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Na investigação anterior, o Ministério Público o apontou como um dos principais nomes de um esquema bilionário envolvendo o setor de combustíveis e que teria possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na Carbono Oculto, Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, foram apontados como responsáveis por uma estrutura empresarial que teria sido utilizada para movimentar dinheiro, fraudar impostos e lavar recursos.
A investigação atual do Gaeco de Guarulhos, porém, é distinta da Operação Carbono Oculto.
O PCC aparece de forma contextual na investigação, principalmente em relação a Admar de Carvalho Martins, conhecido como “Dema”.
Segundo o Ministério Público, ele é investigado em outro processo por supostos vínculos societários e empresariais com pessoas apontadas como integrantes da facção.
Nesta denúncia, contudo, não há acusação formal de que os 16 denunciados integrem o PCC. Também não há, no documento citado, acusação de que o esquema de desvio de metanol e adulteração de combustíveis fosse uma operação da facção.
O foco da denúncia apresentada pelo Gaeco é a suposta atuação de uma organização criminosa voltada à adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados à cadeia de combustíveis.
De acordo com as investigações, a organização teria movimentado mais de 10 milhões de litros de metanol ao longo do período investigado, gerando lucros milionários.
O Ministério Público sustenta que a estrutura utilizada pelo grupo permitia não apenas desviar o produto, mas também ocultar a origem das cargas e dos recursos obtidos com a fraude, utilizando uma rede de empresas e mecanismos financeiros.
A denúncia agora será analisada pela Justiça, que deverá avaliar as acusações e o eventual prosseguimento da ação penal.
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