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Caso Gisele: Depoimento de tenente-coronel acusado de matar esposa é adiado pela segunda vez

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PM Gisele Santana foi morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/ Redes Sociais
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 28/08/2026, às 16h20



Foi adiado pela segunda o depoimento tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça no apartamento onde moravam  no bairro do Brás, região central de São Paulo. A decisão do adiamento foi dada pela 5ª Vara do Júri do Foro Central Criminal.

Segundo o despacho, assinado pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, ocorreu após a perita responsável pelo caso solicitar mais prazo para complementar um laudo. A defesa havia informado que considerava a juntada do documento necessária para a realização do interrogatório do réu.

A audiência estava prevista para acontecer nesta sexta-feira (28), mas foi remarcada para 8 de setembro. Ela ocorrerá às 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

O depoimento presencial do oficial da Polícia Militar (PM) é a última etapa da instrução criminal antes da decisão que definirá se o réu será submetido a júri popular. 

"O interrogatório do acusado foi redesignado a pedido da defesa, que insiste na elaboração de um laudo pericial complementar", disse o advogado José Miguel da Silva Júnior que defende a família de Gisele ao G1.

O que diz o advogado do tenente-coronel

Segundo o advogado Eugênio Malavasi, durante a fase de instrução a perita que fez o laudo que incriminou seu cliente não havia esclarecido os questionamentos da defesa. "Ela estava, na minha concepção, com dificuldade de responder porque ela não estava com o material".

"Então houve comum acordo, por parte do Poder Judiciário, de ela [a perita] responder por escrito os quesitos apresentados pelo meu assistente técnico", esclareceu Malavasi.

"E desde então o IC [Instituto de Criminalística] foi de fato intimado para respostas e não apresentou. Então, como ele [Geraldo] vai ser interrogado sem as respostas dos quesitos?", questionou a defesa.

Relembre o caso

Gisele morreu com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde vivia com o oficial. Ele foi preso preventivamente e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.

Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. No entanto, após análise detalhada da Polícia Civil do Estado de São Paulo, a hipótese foi revista. Perícias técnicas e a reconstituição da cena indicaram inconsistências com a versão apresentada pelo oficial.

O que diz a denúncia

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o crime ocorreu em 18 de fevereiro de 2026, no apartamento onde o casal morava, no Brás, bairro na região central de São Paulo.

A acusação sustenta que, após uma discussão motivada pela decisão de Gisele de encerrar o casamento, o tenente-coronel efetuou um disparo na cabeça da esposa. O MP afirma ainda que, após o crime, Geraldo tentou simular um suicídio ao colocar a arma na mão da vítima e alterar a cena para induzir a investigação ao erro.

Para o MP, o homicídio foi cometido por conta do sentimento de posse e da recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também sustenta que Gisele foi surpreendida e não teve possibilidade de defesa no momento do crime.

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